MIRANDA SÁ, jornalista E-mail: mirandasa@uol.com.br
Em nome da verdade eu não poderia acusar os petistas em geral pela campanha de Marta Suplicy para prefeita de São Paulo; mas também não posso deixar de mostrar a minha indignação pelas provocações feitas ao adversário, prefeito Gilberto Kassab, com venenosa intervenção em sua vida privada.
Ao apresentar quadros extravagantes perguntando se Kassab é casado e se tem filhos. O candidato do DEM foi comedido ao comentar a campanha da rival, achando-a equivocada e afirmando que em política não é a vida pessoal que está em jogo porque o importante é o caráter das pessoas.
Às perguntas “É casado?”, “Tem filhos?” poder-se-ia rebater com outras perguntas sobre a intimidade de Marta, do seu atual marido, de origem obscura e para muitas pessoas, suspeita.
Isto, porém, não está em jogo e a sordidez dos marqueteiros do PT é que está fora de controle. Isto quem diz é a própria Marta, que declarou desconhecer a inserção na sua propaganda, o que levou o jornalista Mauro Chaves bem dizer que “um candidato que não superintende sua campanha, não merece ser eleito”.
Com a poeira baixando surge uma nova versão, adotada pelo senador Eduardo Suplicy na tribuna do Senado, é que a “intenção” era levar o povo a indagar sobre a “vida política” e as “relações” de Kassab.
Trata-se, evidentemente, de uma desculpa amarela, porque é inegável que se sentindo perdida, Marta resolveu jogar o tudo ou nada, assumindo uma postura ridícula que desmente seu passado de defensora dos direitos humanos e das minorias.
Para reflexão dos que lêem estas mal traçadas linhas é a pergunta das companhias. Marta diz que Kassab andou com Maluf e Pitta; ela também andou com Maluf na sua tentativa de reeleição e tanto ela como ele podem errar e se recuperar do erro.
Quanto aos ataques à vida pessoal uma condenação é necessária, principalmente numa disputa política. Por isso, lamentamos o sumiço das palavras de ordem dos primeiros petistas sobre a ética e a moralidade públicas.
Podemos dizer que o PT de hoje é o PT dos dossiês, dólares na cueca, mensaleiros, sanguessugas, dos delúbios e zés dirceus, e na campanha paulistana mostra a sua verdadeira identidade, usando qualquer recurso para chegar ao poder.
E a candidata, ex-prefeita de São Paulo, poderia falar do que realizou à frente do executivo paulistano, respeitar a ancestral dignidade da família Suplicy, considerar sua condição de psicóloga e recordar suas lições sobre a sexualidade.
Virando as costas para o seu passado, recebeu do escritor João Silvério Trevisan uma admoestação pública. Escreveu Trevisan: “acuada em sua carreira política periclitante, dona Marta mostrou que seu progressismo não passa de um rótulo demagogo e exibiu o seu lado mais legítimo: o moralismo oportunista”.
É desse mesmo jeito que repudiamos a invasão da privacidade de quem quer que seja considerando inaceitáveis as insinuações sórdidas que o marqueteiro do PT fez contra o prefeito Kassab. E Marta se omitiu.
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