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Artigo saído n’ O Metropolitano. Nas bancas

Pequena contribuição à História do Brasil

MIRANDA SÁ, jornalista  (mirandasa@uol.com.br)

Estão gravadas na retina de quem tem olhos de ver, a trajetória do Partido dos Trabalhadores e a participação da sua antiga militância, levantando as bandeiras da ética, da justiça social e da liberdade.

A História do Brasil descreverá os episódios relevantes da convergência das esquerdas com o PT, ressaltando-se a preservação da Constituição e as garantias dos Direitos Trabalhistas, do modelo de Previdência Social Pública, da Reforma Agrária e da Soberania Nacional, como princípios fundamentais do Brasil sonhado.

Os democratas e patriotas fizeram frente comum com as esquerdas, aceitando o discurso eleitoral de Lula da Silva  que se elegeu presidente da República. Empossado, viajou para Washington e negociou a entrega do nosso Banco Central com Wall Street, dando a presidência a um homem do BankBoston.

Essa abertura para a traição nacional se expressou politicamente pela subalternidade do PT-governo, dando continuidade à reforma da Previdência iniciada no governo neoliberal de Fernando Henrique. Os arautos do lulismo escondem, mas os trabalhadores perderam 5 anos na aposentadoria e os servidores públicos aposentados e pensionistas foram sobre-taxados.

Assim, o Partido no poder deixou de ser “dos Trabalhadores” para render-se ao Deus Mercado. Para se sustentar, levantou a necessidade de mudanças na CLT e já fala agora em reduzir a contribuição patronal para a Previdência. E a pior das violências se traduz pelos impostos exorbitantes – os mais altos do mundo – que atingem principalmente os assalariados.

A ação governamental distanciou Lula da Silva dos interesses nacionais, embora com a sua inegável habilidade de pelego sindical tenha mantido altos níveis de popularidade. Está no discurso fraudulento e mistificador, a dialética montada para o exercício do poder: de um lado, usa a cooptação das entidades estudantis, populares e sindicais, corrompendo seus dirigentes.

De outra parte, adotou o assistencialismo como forma de anestesiar as massas miseráveis da periferia urbana e os bolsões rurais de sem-terras. O execrável assistencialismo das “repúblicas bananas” e o populismo característico das ditaduras latino-americanas foram abraçados para satisfazer os obreiristas.

Dos governos anteriores, do coronelismo de Sarney ao neoliberalismo de FHC, ficaram – devidamente maquiados – os programas “do leite”, “do gás”, “da luz” e outros,  unificados sob o título de “Bolsa Família”. Uma ajuda sem contrapartidas que reconhece a vadiagem como um direito e forma um contingente de desocupados sustentados pelo governo.

Aí entra a organização e a exploração eleitoral à moda do coronelismo, do mesmo modo como a Reforma Agrária limitou-se à criação de “assentamentos para os camponeses”, mal acabados e mal assistidos, verdadeiros currais de pessoas humanas postas à disposição de demagogos ou do próprio governo.

Com essas manobras, sustentadas pelos mensalões e a distribuição de cargos e privilégios para os 300 picaretas do Congresso Nacional, o presidente garante a governabilidade e a popularidade, manobrando o PT como um mamulengo que faz o que seu mestre mandar.

Ultimamente Lula impõe uma candidatura presidencial de escolha pessoal e o partido se conforma subserviente; desautoriza a bancada de senadores e eles, cabisbaixos, executam a tarefa infame.

Dessa maneira, aquele PT que admirávamos, que os trabalhadores olharam com o olhar da esperança e o povão seguiu messianicamente, se esboroou entorpecido pelos vícios que antes condenava. Os idealistas cegos devem se lembrar da antiga frase de Fidel Castro que usaram inflacionariamente: “A História Julgará”.

Miranda Sá

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