O triunfo do peleguismo
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Por mais reacionário que seja mesmo um anticomunista fossilizado incapaz de compreender os novos tempos advindos com o fim da URSS, não pode deixar de reconhecer o mérito do movimento sindical e suas conquistas no correr da História. E admitir a importância da atuação neles dos anarquistas, socialistas e comunistas.
Estes idealistas cometeram, sem dúvida, erros de avaliação ou seguiram posições estranhas ao interesse dos trabalhadores, mas não se corromperam vendendo-se aos patrões, nem se deixaram cooptar – por vantagens ou intimidações – pelos governos burgueses.
À sua época, eram respeitados pelos próprios adversários. Lembro-me de um marceneiro, Roberto Morena, dirigente sindical da categoria, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro numa época de duras perseguições aos comunistas e à esquerda em geral.
Morena foi brilhante no exercício do mandato parlamentar. Tanto, que a direita da Câmara dos Deputados apoiou uma homenagem a ele dedicada quando o Tribunal Superior Eleitoral, formado por sabujos da aristocracia feudal paulista e mineira, cassou o registro eleitoral de sua candidatura à reeleição.
Realizou-se um ato de veneração e respeito e, agradecendo, Morena arrancou lágrimas de muitos presentes quando discursou, lembrando: “Eu ajudei a fazer, com minhas mãos, as cadeiras do plenário desta Casa e nunca sonhei em sentar nelas detendo um mandato. Pensei em continuar como trabalhador e lutar pela emancipação de minha classe”.
Infelizmente o movimento sindical foi se degenerando pouco a pouco e viu-se sua liderança ocupada por arrivistas e oportunistas. Um dos representantes dessa espécie foi Joaquim dos Santos Andrade – o Joaquinzão – fundador do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e depois “dono” da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria – CNTI.
Os jovens metalúrgicos apontavam Joaquinzão como exemplo da corrupção que corroia o movimento sindical nos anos 70 e 80 do século passado. Ele foi precursor do “sindicalismo de resultados” mais tarde praticada pelo seu sucessor, Luiz Antônio de Medeiros que criou a Força Sindical e ocupa hoje alto cargo no Ministério do Trabalho, exibindo não sei quantas comendas e medalhas civis e militares. E é um homem abastado.
Joaquinzão, entretanto, morreu pobre. Fez muitas maracutaias organizando greves e negociando com os patrões seu amolecimento. Mas tem o mérito de ter sido o único presidente de sindicato de metalúrgicos em São Paulo a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército.
O atual presidente da República, Lula da Silva, começava a vida de pelego naquela época. Malandríssimo esqueceu um dedo sob a prensa e se aposentou jovem. Hoje ele recebe junto com aquela aposentadoria prematura, os vencimentos de Presidente e os cartões corporativos, uma pensão de quase R$ 6 mil por dois dias que esteve preso numa cela especial.
Alguém já escreveu que ele é que deveria pagar aos que lhe prenderam pelo marketing extraordinário que oportunizaram aos obreiristas da USP e garantir-lhe prestígio para manter uma efetiva liderança sindical e política.
Os companheiros de partido do Presidente têm mostrado a que vieram. Entre as sanguessugas, mensaleiros e aloprados, destaca-se um tarefeiro especial do PT, Delúbio Soares, indicado para o Codefat. O Codefat – Conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador – é uma máquina de fazer dinheiro para os pelegos, e já teve Paulinho da Força como presidente.
Este Paulinho das fraudes do BNDES que usou o sindicato caça-níqueis entre o patronato paulista e depois a central como trampolim político. Sua escola de pelegagem é a mesma dos que chegaram ao poder com Lula e sobre eles só tem um mérito: não ingressou no PT, que o faria trair um discurso de 25 anos.
Em pleno triunfo do peleguismo ingressou no PDT onde dá as cartas depois da morte de Brizola, quando o partido virou o “c” de Mãe Joana. Mas tem um senão: podem acusá-lo de tudo, menos de ter sido brizolista. Graças a Deus.
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