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Artigo saído n’ O Jornal de Natal desta semana

Eleições e outras maracutaias paralelas

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

De longe a gente vê melhor a campanha eleitoral, e a realidade se reforça com a ajuda de pesquisas de opinião feitas independentes de governos e partidos, porque em minha opinião os institutos atrelados a órgãos governamentais ou financiadas por partidos não merecem fé.

Na cena urbana (com licença do nosso Serejo), assisto a luta pelo voto em São Paulo e Rio de Janeiro; e na consciência estão os números levantados pelo Vox Populi por encomenda da Associação de Magistrados Brasileiros.

Vejo que os candidatos com chance de vencer nos maiores municípios brasileiros se digladiam. Não pelo voto popular, mas pelo reconhecimento do apoio de Lula da Silva ou para engordar a caixinha com ajuda dos governos estaduais ou municipais. Ou pelas duas coisas ao mesmo tempo.

Não se fala de propostas; não se faz críticas; ninguém aprofunda a análise da conjuntura política e social; e nenhum apresenta projetos de desenvolvimento econômico condizente com a realidade.

É por isso que na pesquisa referida, 82% não confiam em políticos, porque eles não cumprem as promessas de campanha e o seu mandato só beneficia a si próprios, segundo a mostragem.

Para a maioria da população o voto eletrônico não é seguro. De uma maneira ou de outra, segundo a declaração dos entrevistados, os políticos têm meios de saber em quem se vota e podem impor represálias se forem traídos. Tanto na relação de compra e venda como na concessão de beneficícios, como o Bolsa Família.

Tem outra definição do eleitorado digna de nota: 21% não votaria se o comparecimento às urnas fosse facultativo. E explicam que essa decisão é por falta de confiança tanto nos políticos como no processo eleitoral.

A pesquisa não estimulou os entrevistados a falar de outras maracutaias que a chamada classe política promove nas eleições, como por exemplo, a intervenção das Ongs no processo. Essas organizações não-governamentais fincanciadas pelo governo são milhares, espalhadas pelos 5.539 municípios. E recebem recursos avaliados em torno de 15 a 20 bilhões de reais.

Essa dinheirama só serve para financiar projetos que não saem do papel e sustentar os seus dirigentes, parentela e afins que assinam documentos fajutos. Muitas não possuem sequer uma sede e, segundo o irrepreensível jornalista Pedro do Coutto, não passam de “pontos de ficção na literatura administrativa brasileira”.

Pois bem, as ONGs estão sendo convocadas para cumprir o seu papel de manter o sistema. Ou se transformam em comitês eleitorais, ou perdem a boquinha… O dinheiro que vem de ministérios e estatais – o Banco do Brasil e a Petrobras são pródigos em doações – precisa ser ressarcido.

E assim, como o Brasil do PT-governo criou essa extravagância sem que ninguém protestasse, já que a oposição não tem moral, useira e vezeira nessa prática pouco ortodoxa, o andor da fraude precede a procissão de políticos safados.

A fraude instituiu hábitos que, costumeiros, são capazes de gerar direitos. Um deles é não se discutir a seriedade das urnas eletrônicas, confiança que é imposta por publicidade caríssima do Tribunal Superior Eleitoral. Outra é a participação das ONGs ligadas ao PT-governo ou aos partidos da base.

Ainda não deu para falar de outras entidades que, pela moralidade pública e a ética social não deveriam apoiar candidatos. Entre elas, os sindicatos, transformados em trampolins eleitorais pelos pelegos.

E dos pelegos, passar para os fichas sujas que são parceiros no desprezo pela coisa pública. A presença desses tipos na campanha é uma tapa na cara do cidadão honesto. Estudar esta vertente individualista é outra história, que poderemos discutir na próxima semana…

Miranda Sá

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