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Artigo saído 2ª feira n’ O JORNAL DE HOJE

Fome no mundo e o indígena brasileiro

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Lula da Silva responsabiliza os países ricos da Europa de sabotarem o etanol omitindo, com malandragem pelega, que a esquerda consciente do mundo também denuncia o uso de terras férteis para produzir biocombustível.

É crítica a posição assumida contra o etanol por Fidel Castro em artigos publicados no Granma. Fidel não joga com pau de dois bicos como os pelegos: ele escreve com todas as letras que a produção de etanol a partir de grãos como o milho e a soja, e gramíneas como a cana-de-açúcar é incentivada por George Bush.

Segundo Fidel, “dois bilhões de pessoas passariam à miséria e à fome” porque isso interessa ao lobby dos plutocratas texanos junto a Bush. E aponta que nessa jogada de mercado o Brasil praticará uma “eutanásia dos pobres”.

Lula, que nunca sabe de nada que se passa à sua volta, se finge desentendido e diz que o uso do etanol como biocombustível a partir da cana é uma “boa idéia”, ao contrário do que se faz EUA, produzindo-o com milho prejudicando a produção de alimentos.

Sua excelência pediu carona à exposição de Fidel Castro, que alertou para o fato de que quanto mais terras servirem para plantar milho e soja, forem atender a geração de etanol, menos espaço restará para produzir alimentos cujo preço irá subir, arrastando consigo o preço das carnes cujos animais também usam essas sementes como ração.

Quem esqueceu a sombria história do Pró-Álcool? Mais do que um programa para evitar a dependência externa do petróleo nos anos 70, foi uma medida para ajudar os grandes usineiros paulistas deixando uma rebarba para os herdeiros dos senhores de engenho nordestinos…

Como a História se repete como caricatura (Marx), desta vez o grupo de George Bush, para lucrar milhões de dólares, incentiva a mistura de gasolina ao etanol feito à base de milho. O argumento é o mesmo, reduzir a sujeição da importação do petróleo
internacional. Eles pouco estão ligando para que o preço desse cereal atinja níveis nunca vistos.

O que é que os indígenas brasileiros têm a ver com isso? Eles entram como propaganda persuasiva das ONGs estrangeiras para traçar a caótica política do PT-governo, inexplicavelmente discriminatória. E o resultado é a reserva de milhares de quilômetros quadrados em terras contínuas para pequeníssimas tribos do norte amazônico.

Ocorre coincidentemente nas fronteiras, como a demarcação das chamadas “terras yanomâmi”, povo que nem sequer existe de fato. E os indivíduos das diversas tribos que vivem na reserva não passam de 3.600, conforme registrou a Funai na última campanha de vacinação, e ocupam 96 mil quilômetros quadrados!

Foi aí que me lembrei de um estudo científico patrocinado pela FAO – Organização de Alimentação e Agricultura da ONU – para duas entidades também ligadas às Nações Unidas, a WHO – Organização Mundial de Saúde e UNICEF – Fundo das Crianças. Trata-se de uma minuciosa pesquisa sobre a fome que abrangeu os cinco continentes.

O mergulho dado na evolução do homem, sua multiplicação e inclusão na teoria de Darwin, cientistas e pesquisadores concluíram que para povos ditos caçador-coletores, a área necessária para a existência plena de uma comunidade de 200 indivíduos deve ser um círculo com raio de 25 quilômetros. Seja, cerca de 1.120 quilômetros quadrados.

Cada indivíduo contaria com 5,5 quilômetros quadrados, mais do que necessário para sua sobrevivência no estágio sócio-antropológico dos caçador-coletores como os que vivem na Reserva Yanomâmi, segundo o CMI – Conselho Missionário Indigenista.

É bom que ninguém esqueça que a demarcação daquelas terras foi mais uma aventura do Governo Collor, de triste lembrança. São 97 mil quilômetros quadrados para pouco mais de 5 mil indivíduos, sejam 102 quilômetros quadrados para cada indivíduo.

Na discutida Reserva Raposa Serra do Sol, caricatura de Collor que Lula da Silva faz, tem um milhão e 800 mil hectares em terras contínuas para 15 mil indivíduos das tribos Macuxi, Tauepang, Wapixana e Ingarikó! Sem comentários…

Finalizando, alguns dados despertam a curiosidade e a revolta dos patriotas brasileiros. Um deles é que o traçado das reservas da fronteira norte obedeceram mais a extensão de veios minerais do que habitações e hábitos das comunidades indígenas.

É de se registrar, nesse caso, que a Reserva Yanomami é uma das maiores províncias minerais do mundo, encontrando-se nela uma imensa jazida de nióbio, metal de alto valor estratégico. Com relação à Reserva Raposa Serra do Sol foi estranho que a área defendida pela Funai foi ampliada várias vezes o seu tamanho, depois que a CPRM descobriu no subsolo da região um riquíssimo depósito de fosfato.

Miranda Sá

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