Determina Lula da Silva a volta de privilegiados sobre o povo ao defender Sarney das denúncias que lhe pesam dizendo que o Capitão-Mor do Maranhão não pode ser tratado como uma “pessoa comum”.
É uma defesa ordinária, sem argumentos, que serve apenas como aliverce para reerguer bastilhas, mergulhando o Brasil no obscurantismo. Não se contentando em blindar Sarney como uma figura ”incomum”, o antigo pelego da Volkswagen, hoje presidente da República, também “incomum”, ataca a imprensa por “denuncismo”.
Usando e abusando da popularidade para desconsiderar a bacanal de corrupção do Senado Federal, Lula enrola num rocambole de safadezas, a burocracia pervertida e os parlamentares devassos que armaram o esquema dos “atos secretos”.
Isso não é novidade. Sua Excelência já passaou a mão na cabeça das sanguessugas, dos mensaleiros e dos aloprados, além de se associar com Severino Cavalcanti, Jáder Barbalho e Renan Calheiros. Mas desta vez extrapola a condição de mandatário e de político louvando a impunidade.
Para aos que teem os olhos voltados para História – com “h” maiúsculo – a República merece respeito e sabem que os que não concordam em acatá-la, serão jogados fatalmente no lixo da desonra e da infâmia. Será assim com Lula, por estabelecer a “Bolsa Oligarquia” para blindar os “incomuns”.
Os pelegos que chegaram ao paraíso e o neocoronelato provinciano adquirirem, por decisão presidencial, o título de “incomuns” ficando liberados as célebres carteiradas e conquistar uma imunidade vitalícia. O Presidente da República, os oligarcas estaduais e os ministros de Estado terão ad eternum fôro privilegiado.
De acordo com os novos tempos, os “inconmuns” são especiais, confundindo-se com as instituições republicanas. Tornar-se-ão os pilares da Democracia Patrimonialista, sem se obrigar a fazer prestação de contas pelos gastos com o dinheiro público. Essa obrigação constitucional passará a ser um conceito ultrapassado.
A História – com “h” maiúsculo – tem mais força de juiz do que mil e um ministros do Supremo Tribunal Federal. Tenho certeza de que não capitulará Lula da Silva como um democrata; no máximo, aparecerá como uma versão populista de Fernando Henrique Cardoso, com os traços amorais de Fernando Collor.
Não ocorrerá desta vez, como os acontecimentos anteriores gravados na memória nacional como se fosse uma invenção de jornalistas afoitos. Quem não se lembra da versão de que o mensalão era uma versão midiática? Depois, deu no que deu.
É moralmente inaceitável que depois da extravagante (e certamente falsa) defesa de Lula da Silva do imoral patrimonialismo Sarney & Cia, não venha uma reação dos círculos letrados deste País.
Os que se calarem, serão cúmplices do fim da República e da Democracia.
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