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Artigo publicado n’ O JORNAL DE HOJE

China vs. Tibet: Progresso e Escravidão

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


Não me conformo com as caudalosas – e repetidas – matérias que as agências internacionais vêm editando sobre o Tibet e surpreendo-me que haja editores nas grandes redes de televisão capazes de pautar este tema falsamente humanista, engrossando a corrente negativa que quer boicotar as Olimpíadas de Pequim.

A história da ocupação do Tibet pela China não é a saga do coitadinho do Dalai Lama. Há 50 anos àquele país (se é que se poderia chamar de “país”), uma teocracia feudal e escravocrata recebeu a brisa soprada pela revolução chinesa, responsável entre outras coisas por colocar a miserável China dos coolies e dos servos entre as maiores potências do mundo.

Vocês sabem o que é uma teocracia? Segundo o Aurelão, “é a forma de governo em que a autoridade, emanada dos deuses ou de Deus, é exercida pelos seus representantes na Terra”. Ora, nem o Papa, legitimado pelos católicos como representante de Deus na Terra, dirige um Vaticano teocrático… Houve tempo que isso ocorreu, assim como na Babilônia se governava em nome de Isthar, no Egito os faraós representavam Amon-Rá e o Inca imperava em nome do Deus Sol.

Não vou recorrer nem aos grandes estudiosos das religiões, como Oliveira Martins e Charles Hainchelin (Lucien Henri) com pesquisas antológicas,que encontramos nos seus livros Sistema dos Mitos Religiosos e As origens da Religião, porque a explicação do que ocorre no Himalaia não é acadêmica, mas da História Contemporânea. A divinização de um homem e a teocracia não tem lugar no mundo de hoje.

Embora o problema não seja religioso, há correlações políticas na tentativa de entregar o poder aos monges tibetanos, dominados pelo fetichismo e um animismo ancestral sem par no mundo moderno, nem entre os aborígines na Austrália e da Nova Zelândia. É inimaginável que com o avanço da Ciência admita-se a extravagante concepção de que uma gigantesca tartaruga carregue o mundo nas costas, como é ensinado lá nos monastérios.

É igualmente inimaginável aceitar-se que se governe uma nação através dos dogmas da morte e de uma autoridade investida pelo medo. Não é assim que vêem os modistas auto-intitulados defensores dos direitos humanos. Entretanto isto encontra defensores: uns por ignorância presunçosa, outros apenas para se expor na mídia e muitos à custa de “mensalões”. O trabalho de agitação para desestabilizar as Olimpíadas de Pequim está às vistas.

Podem me considerar “politicamente incorreto”, o que já faz parte da minha atuação na imprensa. Vejo, entretanto, no caso Tibet, a ilustração de como se pode distorcer a realidade. Como basta prestar atenção às imagens exibidas e os textos divulgados para que fique esclarecida uma repetição exaustiva de um só acontecimento, base da campanha facciosa contra as Olimpíadas.

A quem interessa minimizar o trabalho respeitável que a China fez para sediar os jogos internacionais? Talvez na tentativa de esconder o sol com uma peneira, porque aos olhos do mundo vê-se uma China emergente, grandiosa e, de certa maneira justa com suas populações antes miseráveis. Nunca me esqueço de uma frase de Mao-Tse Tung, que disse certa vez que ficaria feliz se cada chinês pudesse ter três xícaras de arroz por dia. E hoje os chineses têm muito mais, uma conquista da ordem, da honestidade, do trabalho e da educação.

Nada de assistencialismo, esmolas e enrolação como ocorrem em regimes populistas. Lá uma autêntica revolução pode orgulhar seus condutores pelos resultados obtidos; e não serão artistas hollywoodianos – ou afins – esnobando a adesão por seitas obscurantistas, que poderão desviar o curso da História. Poderia ser uma brincadeira, como fizeram os Beattles encontrando um guru, de férias na Índia; ou alguns compositores brasileiros que provando da tradicional preguiça baiana apoiam-se nos orixás para o dolce far niente.

Mas nenhum artista, intelectual ou qualquer indivíduo minimamente informado, assumem a defesa de um “reino teocrático” e o reconhecimento da escravatura pelo governo do deus – vivo e seus monges. Perdoem-me o mantra ritual de um analista frio: os que – em nome do humanismo – colocam-se contra os Jogos Olímpicos querem esconder o desenvolvimento da República Popular da China. O resto é conversa fiada.

Miranda Sá

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