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Artigo publicado 2ª feira n’O JORNALDE NATAL

Memorável campanha d’ “O petróleo é nosso!”

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail:
mirandasa@uol.com.br

Quando ameaça chuva no sertão do Piauí, tem um calombo na minha cabeça que dói. Foi uma borrachada que levei do cassetete de um agente da antiga Polícia Especial num comício convocado pela Liga de Emancipação Nacional em defesa da Petrobrás (assim, com acento agudo no “a”). Era o coroamento da lutas patrióticas para impedir que as grandes empresas oligopolistas internacionais para aqui viessem tomar a grande riqueza do povo brasileiro. Sob a palavra-de-ordem “O petróleo é nosso!” a mobilização das vanguardas políticas do povo brasileiro começou nos fins da década de quarenta e, nos anos cinqüenta, com Getúlio Vargas na presidência da República, tiveram maior intensidade.

Personalidades ilustres e entidades civis respeitáveis puxavam o movimento nacionalista. Além das frentes amplas formadas pelo Centro de Defesa do Petróleo e das Riquezas Naturais e a Liga de Emancipação Nacional, tínhamos a ABI e o Clube de Engenharia. O ex-presidente Arthur Bernardes, do Partido Republicano, Milton Campos e Gabriel Passos, parlamentares udenistas, representavam as Minas Gerais. Do Sul, Alberto Pasqualini, Isac Sabbá, Landulpho Alves, Leonel Brizola e Lindolfo Salles. No Nordeste destacava-se Miguel Arraes.

As lideranças vinham da esquerda e da direita, com os comunistas João Amazonas e Luiz Carlos Prestes de um lado e o integralista Plínio Salgado do outro. Na religião pontificavam dom Hélder Câmara, católico, o senador Domingos Velasco, espírita, e o pastor Aurélio Viana, evangélico. Nos círculos militares aderiam o Clube Militar e o Clube da Aeronáutica, e os generais Cordeiro de Farias, Felicíssimo Cardoso, Henrique Lott, Horta Barbosa e Juarez Távora.

Os estudantes participavam intensamente, pela UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundários e a UNE – União Nacional dos Estudantes, e era aí que a minha geração se dava de corpo e alma, acreditando num futuro radioso para o Brasil. Depois que Getúlio aprovou o, projeto do monopólio estatal do petróleo, da lavra de seus oposicionistas da UDN, a vitória foi cantada em prosa e verso.

A princípio, a Petrobrás nos orgulhou. Aproveitou o que havia de melhor entre os engenheiros e técnicos do país e formou uma mão-de-obra qualificada. Ficou imune às pressões políticas e a sua diretoria era composta de quadros de carreira da empresa. Hoje, o pragmatismo dos neo-neoliberais do lulismo-petismo, levando em conta que o governo é o maior acionista da estatal, assume posições estranhas aos interesses do povo brasileiro.

Viu-se o patrimônio da Petrobras (agora sem acento) ser lesado pelas negociações espúrias com a Bolívia, quando as instalações da empresa foram invadidas manu militari no país andino. Agora se assiste seu aparelhamento imoral com a disputa infecciosa no PT-partido pelos cargos de direção. Para ocupar cargos importantes são indicados candidatos derrotados nas últimas eleições como José Eduardo Dutra, indicado para a presidência da BR Distribuidora.

O QI (quem indica) é manobrado descaradamente por membros das altas esferas governamentais, sendo o principal dona Dilma Rousseff hábil substituta de José Dirceu na Casa Civil. Dilma preside o Conselho de Administração da Petrobrás e nessa situação manda e desmanda na estatal, fazendo-nos lamentar a redução da empresa dos nossos sonhos num balcão de emprego de politiqueiros e carreiristas.

Mas tem coisa pior. Diz-se que por trás do plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce se esconde uma manobra torpe do neoliberal Lula da Silva: se houver uma maioria favorável à situação atual da empresa, o caminho para a privatização da Petrobras está aberto. Disso se cuidem os petroleiros e abram os olhos os servidores dos bandos estatais porque se a Petrobras cair virão a seguir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Podem crer.

Miranda Sá

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