Imigração e colonialismo
Walter Medeiros, jornalista
Uma séria de episódios noticiados nas últimas semanas recomenda uma reflexão sobre a postura das ditas civilizações nos dias atuais, onde a diplomacia procura cumprir seu papel, enfrentando, porém, dificuldades que vão além das suas possibilidades. Fica no ar uma sensação de que o mundo tornou-se civilizado, mas não tanto. Resta, sobre todos os povos, um ranço de pedantismo, arrogância e superioridade em alguns mandatários, tanto do velho como do novo mundo.
A rejeição aos brasileiros que têm negócios a tratar na Espanha não pode, ao meu ver, ser parte simplesmente de um processo burocrático de imigração. É algo que vai muito além do próprio Brasil, passar por toda a América Latina, e ficou bem claro naquele momento lamentável em que o Rei da Espanha, Juan Carlos, dirigiu aquela frase ao Presidente Hugo Chaves, da Venezuela: – Por quê não te calas!?
Aquele momento reflete a síntese da postura do Rei espanhol com relação a todos aqueles países que estavam sentados à mesa. Não devemos achar que se tratava tão somente de confrontar com o presidente venezuelano, apesar de todas as suas ações naquela ocasião, que realmente eram de irritar seus adversários. Foi um pretenso cala-boca de alguém que se acha superior a muitos povos, uma espécie de saudade do colonialismo.
Nesses meandros, a diplomacia vai se enfraquecendo e desfigurando, como se deu neste começo de século, quando George Bush atropela a ONU e promoveu a invasão ilegal e imotivada do Iraque. E assim vai sendo vilipendiada a soberania das nações, por conta dos interesses brutais do poder econômico e bélico. Matando, esfolando e mandando se calar.
Lastreados nessas posturas do presidente e do rei, os seus patrícios findam passando os pés pelas mãos, agindo com rigor exagerado na imigração e cometendo sucessivas injustiças, que são danosas e traumáticas para qualquer cidadão. Males insanáveis, pois resultantes de atos arbitrários revoltantes, praticados com o mais profundo autoritarismo, aquele que humilha pessoas indefesas, já que naqueles momentos são desacompanhadas de quaisquer defensores.
Faz dez anos que deixei de fumar, mas em 1996 fumava e passei por situação preocupante no aeroporto de Zurique, onde resolvi acender um cigarro em local que não estava proibido e para completar havia cinzeiros disponíveis. Um policial de físico bastante avantajado, mal educado e grosso, ordenou que apagasse o cigarro, sem admitir qualquer diálogo, sob ameaça de detimento. Não tem como não encarar a situação como discriminação com os não europeus.
Diante destes fatos, resta trabalhar para mudar esta situação conflituosa, esperando uma mudança de atitude dos espanhóis e outros europeus com relação aos brasileiros. Ao mesmo tempo em que o Brasil precisa manter um nível elevado no trabalho das autoridades da imigração. Evitando cometer injustiça com os espanhóis que vierem ao Brasil, para não mandar de volta pessoas que preencham os requisitos para entrar no país. Ao contrário do que fazem os espanhóis há semanas em Madri com os grupos de brasileiros.
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