A imoralidade da volta de Carlos Lupi à presidência do PDT, só pode ocorrer num País em que a classe política convive natural e sem-vergonhamente à corrupção e à impunidade reinantes.
O ex-ministro, sétimo a cair no governo Lula Rousseff e sexto a se comprometer sob denúncias de corrupção, reassumiu a presidência do PDT, vilipendiado pela improbidade administrativa e desmoralizado pela sabujice, na tentativa de manter-se no cargo.
Voltando a dirigir o partido brizolista, Lupi não assume consensualmente: enfrenta a oposição da militância e a resistência de parlamentares, sem a condição histórica de passar a borracha nas irregularidades cometidas no Ministério do Trabalho e nos malfeitos pessoais, ao acumular cargos de funcionário-fantasma.
Leon Trotsky com o seu inegável valor de ideólogo e teórico marxista, escreveu que “os erros e vacilações da direção do partido se refletem nas bases”. Nada mais certo quando aplicado no caso pedetista.
Vê-se claramente que a agremiação trabalhista se ressente da iniqüidade de Carlos Lupi, e que o trabalhismo definha ainda mais, mergulhado no pântano da corrupção do lulo-petismo; também a sociedade brasileira repercute o desgaste político pelo deperecimento dos valores éticos e morais.
A perda de confiança nos dirigentes do Executivo alcança também os outros poderes republicanos. A avacalhação que Lupi e seus bajuladores mantiveram no Ministério do Trabalho, comprometeu os congressistas do partido e a Justiça Trabalhista, que se divorciou dos interesses do proletariado.
No Congresso, representantes de escol como Cristovam Buarque, Miro Teixeira e Pedro Taques rasgam suas biografias mantendo-se num partido controlado pelo bando de Lupi; e, no Judiciário, é notória a perda da confiança popular na Justiça do Trabalho.
Há, por outro lado, um visível abandono das bandeiras brizolistas no PDT. A Educação – obstinação do Caudilho – deixou de ser uma meta; a CLT é violentada e constata-se o desamparo dos aposentados indefesos.
Nos últimos dois anos à frente do Ministério do Trabalho, Lupi e sua turma assistiram em silêncio os aposentados serem lesados pelo governo Lula Rousseff, traidor da classe trabalhadora. A submissão dos pedetistas ao poder contribuiu para a desdita daqueles que trabalharam toda a vida sem a contrapartida de uma aposentadoria decente.
Os aposentados que pagaram à Previdência Social por um benefício superior ao salário mínimo estão sendo aconselhados – um absurdo! – a voltar ao trabalho de maneira informal. Não há vergonha maior num País que se ufana em haver conquistado a posição de 6ª economia mundial.
Cúmplice dessa situação ultrajante, o partido fundado por Leonel Brizola, se desmoraliza, apelegando-se com Carlos Lupi e desonrando a memória do seu fundador e líder incontestável.
A realidade é que o PDT, com a volta de Lupi, se desonra e se humilha, ao enaltecer a corrupção e se manter na base servil do governo Lula Rousseff.
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