Como nunca é demais revermos os capítulos da História, reencontrei a referência de que os termos “direita” e “esquerda” surgiram na esteira da Revolução Francesa de 1789, apenas por causa da distribuição dos assentos na Assembléia Nacional pós-revolucionária.
Os conservadores – na maioria girondinos – sentavam-se à direita da mesa diretora, enquanto os liberais – sob a hegemonia dos jacobinos – mantinham-se à esquerda.
Há uma anedota sobre o surgimento dessas designações: Como não existia partidos organizados, o presidente do plenário designava as duas tendências referindo-se a elas como “Vocês aí da direita, façam silêncio”, ou “Vamos ouvir o pessoal da esquerda”…
Essas designações foram auto-assumidas pelos dois blocos, nos debates de rua e na imprensa, definindo cada vez mais o conceito ideológico das facções, chamando os da direita de moderados e os da esquerda, extremistas.
Ambos os grupos eram revolucionários; os direitistas propunham abolir os privilégios da nobreza, defendiam a igualdade dos cidadãos e a divisão republicana do poder; os esquerdistas, por sua vez, juntavam a essas reivindicações o fim da imunidade do clero e sugeriam um poder centralizador.
Ainda como piada aprendemos que nasceu naquele período a expressão “baixo clero”, usada atualmente para os anônimos do Congresso Nacional. Na Assembléia francesa, os padres seculares que compunham a “esquerda” eram assim qualificados.
Outra revolução, a Revolução Russa de 1917, com os seus desdobramentos antropofágicos na luta pelo poder, chegou à degenerescência do stalinismo, que monopolizou o termo “esquerda” no movimento comunista. Daí em diante, a 3ª Internacional estigmatizou todas as demais expressões políticas de esquerda, taxando-as de “direitistas”.
Foi assim que o Anarquismo, o Cooperativismo, a Social Democracia, o Socialismo, o Trabalhismo e o Liberalismo Planificador, alternativas tradicionais “de esquerda”, passaram a figurar no espectro criado pelos stalinistas como “de centro” ou mesmo “de direita”.
Para demonstrar historicamente que houve um embaralhamento terminológico proposital (marqueteiro, como se diria hoje), no século passado os fascistas italianos, os nazistas alemães e o populismo totalitário da Espanha, Portugal e România, se consideravam na origem “de esquerda”…
No mundo atual – com as monarquias restantes e as ditaduras terceiro mundistas à parte – nada há de mais direitista do que os regimes populistas. Não temos melhor exemplo do que o lulo-petismo no Brasil, os governos “sindicalistas” da Argentina, Bolívia e Equador, e o golpe militar chavista na Venezuela.
De Cuba, nem se fala. Basta lembrar que a Ilha é a mais antiga ditadura do mundo, para se ver que lá nada tem a ver com a “esquerda”, cuja característica principal é a defesa da Democracia, com ampla garantia de direitos individuais e a intransigente defesa do meio-ambiente.
Mais do que os chamados “direitos humanos” que participam mais de discursos demagógicos do que recebem garantias governamentais, os direitos individuais resguardam a cidadania de qualquer tipo de opressão. Quanto à defesa do meio-ambiente, temos na sua efetivação a projeção internacionalista de vanguarda, tratando-se da defesa do Planeta.
Registre-se também que os regimes populistas, como o do Brasil, manteem o poder sob a hegemonia de um só partido, com repetidas tentativas totalitárias de submeter a opinião pública sob o controle da imprensa e o disciplinamento dos agentes da Cinema, Internet, Jornalismo escrito, radiofônico e televisivo, Teatro… E até publicidade!
A jornalista Dora Kramer tem uma frase magistral definindo a situação do País, lembrando que: “Somente as ditaduras e regimes populistas tratam a imprensa como inimiga”. Ora, como podem ser “de esquerda” os inimigos da liberdade de expressão?
Tenho evitado, por diversas razões, discutir nos 140 caracteres do Twitter a injustiça (ou ignorância) de classificar o PT e o seu governo como “de esquerda”. Eis-me, portanto, fazendo-o na livre manifestação do meu Blog.
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