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Silvério dos Reis, a derrama, e o novo colonialismo

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Proprietário de minas falido em virtude dos altos impostos cobrados pela corte portuguesa nas Minas Gerais, Joaquim Silvério dos Reis foi convidado a participar da resistência libertadora liderada por Tiradentes.

Após reuniões com os conspiradores, Silvério dos Reis vendeu-se aos colonizadores e sob garantias, traiu o movimento, delatando a data da rebelião, coincidente com a “Derrama”. A repugnante denúncia levou Tiradentes à prisão, processo, condenação à morte e execução em forca erguida na atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro.

O martírio do herói da independência foi em 1789 e, como ocorre neste País sem memória nem respeito aos patriotas, o reconhecimento a Tiradentes só ocorreu 78 anos depois, e somente 178 anos após, ele foi proclamado patrono cívico da Nação Brasileira, pela lei 4.867, de 9 de dezembro de 1965.

A “Derrama” foi um imposto criado por Portugal para amortizar as dívidas acumuladas pelos mineradores junto à Coroa. Ameaçava o confisco de bens e propriedades dos inadimplentes e, mais do que outros impostos, era impopular à unanimidade.

Era uma espécie de CPMF dos dias atuais, num cenário que descortina um novo colonialismo do Brasil perante a FIFA, uma máfia internacional que se aproveita da popularidade do futebol à época em que este esporte transformou-se em traficância comercial e mexe com milhões de dólares.

Submetendo-se à máfia colonizadora, o governo entregou de bandeja à FIFA a legislação do país, a chamada lei das licitações. Para mascarar esse servilismo, os fingidores do poder disfarçam, aparentando resistência nos casos das meias-entradas e na proibição legal de venda de bebidas alcoólicas nos estádios.

A mascarada do PCdoB, satélite do lulo-petismo, criou um tipo de “Rei Momo” para o carnaval da Copa/14, fantasiando o ministro (agora “ex”) do Esporte, Orlando Silva, de paladino da resistência aos mafiosos da FIFA e da CBF, uma encenação para enganar trouxas.

Esse diversionismo tinha outra vertente, pois o partido de Orlando Silva montara no Ministério um esquema corrupto, desde os tempos de Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal. Eis aí o fogo de vista para desviar atenções.

Descoberto o ardil, o PT-governo nega tudo agora e tira do PCdoB a embaixada junto ao cappo Joseph Blatter, num novo improviso aventureiro da presidente Dilma Rousseff; que mantém o partido de posse do Ministério do Esporte, a fábrica de dinheiro.

Veremos no que dá. Numa metáfora popular, não adianta espantar as moscas se a tulha de excrementos permanecer. Realmente, trocar Lé por Cré, sem mexer no maquinário moedeiro dos porões e nas ONGs fajutas, beneficiárias da “guitarra”, tudo continuará como dantes no quartel do Abrantes…

Mas a Derrama do novo colonialismo não pára aí. Os 300 picaretas do Congresso aprovaram na Câmara dos Deputados um assalto ao mais sagrado patrimônio dos trabalhadores, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.

A proposta criminosa é tirar dinheiro do Fundo para obras para a Copa/14 e os Jogos Olímpicos de 2016, na construção de estádios e centros esportivos de treinamento… E de contrabando, na patifaria reinante, aplicar os bens dos assalariados em “empreendimentos hoteleiros e comerciais”.

Trata-se não apenas de um crime contra os trabalhadores (silenciados por sindicatos, federações e centrais cooptadas pelo PT-governo); é uma negociata desavergonhada dos “consultores” que controlam a administração pública.

Mais do que isso. É uma traição como a de Silvério dos Reis, ao povo brasileiro, sem escolas públicas de qualidade, sem atendimento médico decente e sem segurança para exercer o direito constitucional de ir e vir…

Miranda Sá

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