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Vários crimes se cometem contra o Brasil

MIRANDA SÁ (email: mirandasa@uol.com.br)

Terça-feira, 23 de maio, a Rede Social assistiu milhares de usuários das ferramentas da Web hostilizando a falta de explicação de Palocci sobre a rapidez do seu enriquecimento, que acumulou mais de R$ 20 milhões em menos de quatro anos.

Do outro lado, a 24 de maio, quarta-feira, os jornais ou se omitiram (o Correio Braziliense sequer reportou protestos nas casas do Congresso) ou se encheram de opiniões em defesa do Chefe da Casa Civil.

Anteriormente, as defesas que surgiram comprometiam mais do que livravam. Jáder Barbalho, José Dirceu, Maluf, Michel Temer, Renan Calheiros, Romero Jucá e Sarney sujam qualquer biografia registrando um elogio…

Mas depois do volume de protesto dos internautas, vieram personalidades defender a evolução patrimonial zás – traz. Em certas épocas pareciam confiáveis, como José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, Sepúlveda Pertence, presidente do Conselho de Ética, governadores, cinco do PT e outros sabujos de guichês partidários.

Em cima do muro (como foi costume tucano) ficou Roberto Gurgel, procurador da República, não dizendo que sim nem que não, primeiro comentando que nada havia para apurar e depois encaminhando perguntas a Palocci.

Houve figuras públicas que se manifestaram em favor da investigação. Ophir Cavalcanti, presidente da OAB, e parlamentares não somente da oposição, mas também do PMDB e do PP.

A base petista, que ganhou eleições e se locupletou no poder à custa de denúncias de corrupção e exigência da ética e moralidade públicas, considera Palocci inocente, argumentando que a “democracia social lulo-petista” garante a todos “subirem na vida”.

Este quadro tem, porém, uma pincelada discrepante até agora: o silêncio de Dilma. (*) Talvez ela medite sobre o pedido de milhares de tuiteiros na tag #DilmaDemitaPalocci e outras. Ela precisa pensar mais e falar menos, pelo menos neste caso.

A Presidente não pode esquecer a maldição da Casa Civil, enlameada por Zé Dirceu e o próprio Antonio Palocci na Era Lula; e, se estudou dialética – como fala a sua biografia – deve meditar sobre o próprio erro quando escolheu Erenice Guerra para botar lá, fazendo-a seu braço direito.

Este é o apanhado sinótico, reduzindo em algumas linhas um fato. Certamente há algo de podre na sede da República e os abutres já sobrevoam por lá anunciando isto. A extravagante consultoria Projeto, de Palocci, que amontoou tanta riqueza em tão pouco tempo, está sob suspeita.

Quando se põe algo ou alguém sob suspeição não se atesta um crime, e neste caso específico não seria “um crime”, mas vários crimes pela ótica da responsabilidade social.

Usar de um cargo público para dar informações privilegiadas, ou facilitar negócios, ou se colocar a serviço de interesses privados, representam uma falta de responsabilidade social da parte de quem pratica isso e também de quem se aproveita disso. Só aí temos várias páginas do Código Penal rasgadas.

É por isso que o caso Palocci não pode ser tratado como uma “questão política”. É uma coisa que exige explicações e não discursos pré-moldados destinados aos ocupantes do poder e seus asseclas.

Palocci garante nada ter feito de ilegal e contra a ética. Quem toma conhecimento do fato sente que essa fala é insuficiente para esclarecer a aritmética da acumulação de riqueza. E no limbo das dúvidas, desconfianças e incertezas, nas conversas de pé-de-ouvido fala-se de “fogo amigo”.

Se isso tem fundo de verdade, está aí o perigo que a presidente Dilma enfrenta, principalmente face ao jogo petista na CCJ da Câmara, defendendo uma PEC que impede Michel Temer assumir a Presidência em caso de vacância…

(*) Até o momento em que escrevo este artigo

Miranda Sá

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