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APAGÃO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)                            

“Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada” (Machado de Assis)

Como autodefesa para não implodir de indignação, tenho relido alguns já conhecidos, e lido outros trabalhos de Machado de Assis que desconhecia. O fundador da Academia Brasileira de Letras foi um jornalista com “J” maiúsculo, cronista e crítico, assíduo cotidianamente nos jornais.

Descrevendo o mundo da sua época, Machado ajuda-nos a ver como a nacionalidade caiu intelectual e honestamente, atingindo o nível mais baixo dos bens culturais e morais. O que vemos hoje? Um jornalismo medíocre, a composição inconfiável do Congresso e os movimentos sociais e populares cooptados e instrumentalizados como tentáculos do peleguismo.

Veio com o governo Lula a implantação de uma ‘Idade do Apagão’ no Brasil; constatando isto, é ser coerente com a História. É de inteira responsabilidade da pelegagem essa tragédia sócio-política que se abateu no País, e só uma frente de união nacional poderá trazer a luz, ou se estenderá como a “Idade das Trevas” medieval por muito tempo.

Não é um só “apagão; são vários “apagões” que se estendem e cobrem a vasta extensão geográfica do País. É uma escuridão em todos os níveis, culturais, éticos, morais, do civismo, da honestidade e do amor à Pátria.

Houve falta de patriotismo anteriormente? – Houve. Havia analfabetismo? Havia. Praticava-se a corrupção? Praticava-se. Feria-se a moral e a ética? Feria-se. Essas mazelas são antigas, mas que nunca foram institucionalizadas como agora.

O estelionato eleitoral que levou o PT ao poder com a eleição de Lula trouxe no seu interior o modelo mais que perfeito da ideologia dos pelegos: O Mensalão. É um crime doloso e continuado, ensaiado doentia e experimentalmente em Santo André, com os sanguessugas, aloprados, nos Correios, no Dnit, no Banco do Brasil…

Quando se realizou o assalto (que julgamos o final) ao patrimônio público, para comprar parlamentares corruptíveis no governo, tirou-se a radiografia da corrupção ativa e passiva que foi implantada.

Julgados pelo STF, os mensaleiros foram condenados. E com a prisão dos altos hierarcas do partido, ficou claro o modo lulo-petista de governar, através do suborno, práticas de peculato e lavagem de dinheiro, tudo orientado pela Casa Civil da Presidência da República. Cinicamente, a horda de fanáticos lulo-petistas considerou os criminosos detidos na Papuda “heróis do povo brasileiro”.

Como todo mal traz um bem, a Nação Brasileira se conscientizou da degenerescência dos três poderes; o Legislativo que se deixou corromper, o Executivo, corruptor, e o Judiciário manietado, todos oferecendo exemplos prejudiciais às pessoas ignorantes prontas para arremedar o que vem “de cima”.

Depois, para estarrecer a Nação, o Mensalão ressuscitou como um zumbi de vodu e se apossou da Petrobras, destroçando a empresa ícone do nacionalismo. A ladroeira ali instalada entrou na casa dos bilhões, distribuídos entre petistas e seus parceiros de copo e de corrupção.

A complacência dos meios de comunicação, a indiferença dos partidos e a cumplicidade das organizações populares facilitaram a semeadura de um arremedo de ditadura, nivelando o País, sem pudor, ao narco-populismo caricato da Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia, na inferioridade cultural, subserviência, incompetência, e, principalmente, corrupção.

Nossa economia igualou-se à dos infelizes argentinos, equatorianos e venezuelanos, e está enterrada na vala comum da incompetência e da mentira que maquia estatísticas e números para enganar os otários.

Com tal folha corrida, como o PT poderia dirigir com honestidade, as eleições presidenciais que fatalmente lhe apearia do poder?  Venceu, mas deixou suspeitas de fraude na apuração “sui generis” do pleito, onde ministros do Tribunal não estiveram presentes.

Dilma venceu fazendo o diabo. E nos deixou inconformismo e dúvidas quanto à lisura do julgamento da campanha e a função inviolável das urnas eletrônicas. Com isto, nos leva às ruas, pela desconfiança na condução da eleição, exigindo a punição dos que conduziram o processo e/ou se beneficiaram dele.

Reivindica-se patrioticamente o aperfeiçoamento político e uma faxina ampla, geral e irrestrita no Palácio do Planalto. Mostra-se a força e o vigor de 51 milhões de eleitores, sedentos de justiça, enfrentando a mídia subornada, a perversão dos ocupantes do poder e a decomposição dos valores na Idade do Apagão.

Miranda Sá

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