Categorias: Notícias

Tragédia e descaso

Mais um temporal de janeiro deixa mais de 300 mortos na Região Serrana

A história se repete. Como se não houvesse previsão do tempo, mais uma tempestade de verão leva destruição e mortes ao Rio, desta vez na Região Serrana. Teresópolis, Friburgo e Petrópolis foram atingidos por um temporal que deixou mais de 300 mortos – entre os quais três bombeiros -, provocou deslizamentos, desabamentos e inundações, em nova tragédia que o poder público, ano após ano, não consegue evitar. Em meio a mudanças climáticas que tornarão as chuvas mais rigorosas, crescem o desmatamento, a ocupação irregular das encostas e a demora na liberação de verbas. Na tragédia de ontem, o Centro de Friburgo ficou inundado e a cidade, isolada, sem energia elétrica e comunicações. O Estado do Rio recebeu apenas 0,6% dos recursos (R$ 1 milhão) do governo federal para prevenção, aplicados na capital, em Rio Claro e em Volta Redonda. Outro levantamento mostra que a União deixou de repassar recursos até mesmo para as cidades atingidas na Região Serrana. Os R$ 450 mil previstos para obras de contenção na Estrada Cuiabá (Petrópolis) – área destruída pelas chuvas – não foram liberados. Para Friburgo, havia uma estimativa de repasse de R$ 21,7 milhões, mas os recursos também não foram empenhados. Agora, a presidente Dilma Rousseff autorizou o repasse de R$ 780 milhões para recuperar áreas destruídas pelas chuvas no Rio e em São Paulo.

Uma família, de férias

Oito pessoas de uma mesma família, além da babá de uma das crianças, foram vítimas do desabamento que atingiu uma casa de classe média alta inundada no Vale do Cuiabá, em Itaipava – Petrópolis. Uma das vítimas era a estilista Daniela Conolly, e 39 anos.

Ocupação irregular

Além da ocupação irregular de encostas, comum na região, geó1ogos apontam que a tragédia foi agravada por um fenômeno raro, a “corrida de lama e detritos”, quando uma série de deslizamentos acontece ao mesmo tempo. Hoje, Dilma e o governador Sérgio Cabral, que estava no exterior com a família, vão sobrevoar as áreas atingidas.

Na mansão, 14 mortes

Em um sítio no paradisíaco Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, 14 pessoas morreram afogadas. Oito vítimas eram da família do diretor da holding Icatu, Erick Conolly, que estava no Rio. A casa pertence aos Gouvêa Vieira, uma das famílias mais tradicionais do Rio, e estava alugada.

Miranda Sá

Compartilhar
Publicado por
Miranda Sá

Textos Recentes

Razão.com

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A palavra "Razão" como verbete dicionarizado é um substantivo feminino com a etimologia vinda do grego…

3 de setembro de 2026 19h31

DOS HERÓIS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A minha profunda admiração pela figura de Bertolt Brecht, dramaturgo, filósofo e poeta alemão, o maior…

29 de agosto de 2026 21h54

DAS TRAGÉDIAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A Tragédia é um acontecimento muito grave e ruinoso, ligado a forças da natureza ou provocado…

26 de agosto de 2026 8h42

DO JORNALISMO

MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br) O analfabetismo reinante na suprema corte de Justiça argumenta sobre o exercício do jornalismo para se…

19 de agosto de 2026 18h20

DAS VIGARICES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A expressão "conto do vigário" é uma das mais tradicionais da língua portuguesa e significa um…

10 de agosto de 2026 17h34

ETCETERA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A casa da minha avó Quininha, mãe de minha mãe, era senhorial; tinha seis quartos, três…

5 de agosto de 2026 8h15