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SICÔMORO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Ao entregar Jesus, Judas entregou a si mesmo. Quem não segue o Caminho da Justiça, encontrará o caminho da morte sem retorno à vida: a forca, o suicídio” (Frei Jacir de Freitas Faria)

Numa leitura bíblica das Crônicas, encontrei no 1:15, a estranha palavra “Sicômoro” referendada na citação: “… E fez o rei que houvesse ouro e prata em Jerusalém como pedras; e cedros em tanta abundância como os sicômoros que há pelas campinas”. É bem possível que o erudito professor gaúcho José Carlos Bortoloti já o tenha incluído no seu brasilês….

Da minha parte, aprendi na rápida pesquisa feita que Sicômoro é uma árvore da família “Fícus” muito citada na Bíblia e vulgarmente conhecida na Europa como sicômoro, de origem hebraica “shikmah” através do grego “sukomorea“.  No Brasil encontramos a mesma grafia.

A Botânica classifica como Ficus sycomorus L. para esta espécie de figueira com raízes profundas, ramos fortes e frutos comestíveis; é nativa da África, onde no antigo Egito teve a sua madeira usada para fabricar estátuas e sarcófagos.

Originário das regiões tropicais e meridionais africanas, o sicômoro foi para o Oriente Médio e, embora seus figos sejam de qualidade inferior, teve seu cultivo na Península Ibérica na ocupação árabe, ficando conhecida como “figueira-doida” ou “figueira-do-faraó”.

Segundo os Evangelhos, o Sicômoro foi a árvore em que Zaqueu trepou para não pagar impostos; e Jesus Cristo que por ali passava viu-lhe, e ordenou que descesse porque queria ser seu hóspede. Zaqueu saltou e o cobrador de impostos acompanhou-o junto ao Messias até a casa.

Conscientes, os puros de espírito que creem na harmonia universal, sabem que renascemos todos os dias e incorporamos a necessidade espiritual de louvar a vida. Negá-la é uma aberração; violentá-la é enfermiço; torturá-la é um crime.

Assim, como pode um autêntico cristão ser contra o combate às endemias que provocam a morte, negando as defesas vacinais contra os vírus, e aceitando aplausos à tortura?

Nem mesmo aqueles que são acusados de ateus cometem este crime. Lembro de um antigo senador espírita de Goiás, Domingos Velasco, que após uma visita à China comunista, muitos anos atrás, disse que lá encontrou mais espiritualidade e respeito à existência, do que entre os auto-assumidos cristãos do Brasil.

Naquele tempo, Velasco se referiu aos católicos brasileiros que se metiam na política através da Liga Eleitoral Católica; hoje, sem medo de errar, podemos estender sua observação aos evangélicos politiqueiros.

Não há maior fraude do que usar o nome de Deus em vão. Fazem melhor os judeus que tratam o Arquiteto do Universo como “o inominável”, e os selvícolas que silenciam diante dos fenômenos da natureza como expressão divina.

É bom lembrar que por sua traição a Jesus, Judas Iscariotes, arrependido, se enforca num sicômoro tirando a própria vida. Deixou a sentença de que a traição é um peso na consciência que o traidor carrega pela vida inteira.

Não resta dúvida de que se dará com os traidores da Pátria que desrespeitam a Constituição, sem aceitar o resultado da eleição pelas urnas comprovadamente corretas e eficientes. São intolerantes, tatuados de insultos institucionais e obsessões paranoicas, desrespeitando o resultado adverso ao que esperavam.

Infelizmente não ficam sós à sombra do Sicômoro da Politicagem. Vemos ao lado da polarização inconsequente, a intransigência estúpida da presidente do PT, Gleise Hofmann, agredindo o bispo Edir Macedo, e a elegia do petismo à corrupção, com a presença de José Guimarães na equipe de transição de Lula.

Os defensores da Democracia e da Liberdade repudiam todos que promovem badernas e a intolerância assumindo-se “de direita” ou “de esquerda”. Os patriotas autênticos esperam uma demonstração cívica de respeito de ambos, pondo-se “dentro das quatro linhas da Constituição”.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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