Um risco n’água, sem nada concreto, nem sequer as metáforas idiotas de Lula da Silva que fazem a gente rir. José Sarney, presidente do Senado Federal, fez um discurso titubeante, agredindo o idioma e a inteligência do povo brasileiro.
Do povo, é exagero. Dos alfabetizados políticos, que se interessam pelo Brasil Real e não caem nas lorotas e bravatas da pelegagem e a legião de oportunistas que se aproveita do poder. E dos políticos que renunciam à confiabilidade pública para ampliar a base de apoio político do PT-governo.
Antes da terça-feira, pairava um comprometedor silêncio no plenário do Senado. Estranhamente não se ouvia a voz de alguns senadores que se projetam acima dos partidos em defesa da instituição. Estiveram calados Arthur Virgílio, Cristovam Buarque, Demóstenes Torres, Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon, Renato Casagrande, Sérgio Guerra e Tião Viana.
Cito-os por ordem alfabética e excluo os democratas que apoiaram e mantiveram apoio ao Capitão-Mor do Maranhão e Senador pelo Amapá. Acredita-se nas sete vidas de gato que Sarney sustenta nos seus mais de 50 anos de carreira política, fazendo do Senado uma das suas sesmarias, nomeando parentes (um neto e duas sobrinhas), recebendo auxílio-moradia tendo casa em Brasília e residência oficial do Senado à disposição.
Na terça-feira, porém, foram muitos os discursos que se seguiram à fala chorosa que misturou doença de Roseana e empregos da parentela com números e sinopses de nenhum valor. Mas ninguém protestou da afirmação dele de que “a crise é do Senado, não é minha”.
O acumpliciamento corporativo e/ou aproveitador, faz os parlamentares esquecerem que não é a primeira vez que Sarney ocupa a presidência do Senado, tendo se sentado naquela cadeira por duas vezes anteriores, nas quais conviveu com os atos e fatos dos afilhados Agaciel Maia e João Carlos Zogbbi, com quem criou 50 das 181 diretorias da Alta Câmara.
Nenhum dos discursos lembrou que a ghost-writter eleitoral do Capitão-Mor era diretora do Senado (exonerada para fazer a campanha de Roseana e imediatamente reabilitada secretamente), e que a mansão dos sarrneys em São Luiz foi protegida por seguranças do Congresso.
As intervenções oportunistas (e moralistas) viajaram nas asas do “maribondo de fogo”, fingindo acreditar que o capo senatorial dará andamento ás medidas propostas por eles para a re-fundação do Senado. Quanta hipocrisia! Eles sabem que virão novas denúncias provocando outra sessão em defesa da ética na política…
O que ocorre, realmente, é uma inexplicável apatia escondida sob tonitruantes discursos. Tudo leva a crer que os malfeitos que surgem a cada dia sobrelevarão o Senado ganhando da Câmara do mensalão o título de mais corrupto. Os discursantes se nivelarão aos severinos, aos paloccis, aos genoímos, aos paulinhos da Força e aos edmares-do-castelo.
Porque a desmoralização do Senado também já está feita, como querem os golpistas do continuísmo. O próximo passo, quem sabe?
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