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Poesia

Seu nome é hoje

Somos culpados
de muitos erros e faltas
porém nosso pior crime
é o abandono das crianças
negando-lhes a fonte
da vida
Muitas das coisas
de que necessitamos
podem esperar. A criança não pode
Agora é o momento em que
seus ossos estão se formando
seu sangue também o está
e seus sentidos
estão se desenvolvendo
A ela não podemos responder “amanhã”
Seu nome é hoje.

Gabriela Mistral
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
» […]

GABRIELA MISTRAL, 1889 – 1957. Vicuña, Chile, em 07/abril/1889 nasceu Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy, conhecida pelo nome artístico de GABRIELA MISTRAL, adotado em homenagem ao poeta italiano Gabriele D’Annunzio e Mistral e como forma de admiração pelo poeta provençal Frederic Mistral.

Filha de Gregorio (professor/poeta) e Petronila, já ao nascer o pai dedicou-lhe uma poesia: “Oh, doce Lucila, que em dias amargos piedosos os céus te fizeram nascer…”, de quem provavelmente herdou o gosto pelas letras, pois em apenas um mês aprendeu a ler. Já em 1905, seus textos foram considerados liberados demais para a época por um padre, mas um jornalista de apiedou dela e ofereceu-lhe a biblioteca para estudos. Gabriela mudou-se para o campo e trabalhou como professora rural. Em 1908 surgiu seu primeiro poema assinado como Gabriela. A partir dai foi um sucesso seguido de outro.

Em 1914 ganhou seu primeiro concurso literário importante “Jogos Florais de Santiago”, surpreendendo a todos, pois ninguém esperava que uma humilde professora do colégio dos Andes ganhasse o primeiro lugar com os “Sonetos da Morte”, que ela escreveu inspirada no noivo que em 1907 se suicidou. Ela nunca se casou.

Em homenagem à cidade de Punta de Arenas, ela plantou árvores na praça e na avenida principal e posteriormente dedicou-lhes as poesias: “Três Árvores” e “Árvore Morta”. Escreveu sobre a educação das crianças, pássaros do Chile, rios, ervas medicinais, etc. Compassiva, costumava visitar prisões, hospitais, povoados, sempre ajudando-os e aconselhando-os.

Então, em 1922 escreveu “Desolação”, onde há o poema “Dolor” – uma lembrança ao noivo morto.

Em 1945 ganhou o prêmio Nobel. Foi designada como cônsul do Chile em Los Angeles, EUA, onde comprou uma casa e passou a viver.

Em 1954 publicou seu famoso livro “Lagar”, mas o câncer do pâncreas avançava e a incrível poetisa… Definhava. Faleceu em 1957 em Nova Iorque.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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