Categorias: Notas

Poesia

A Flor do Maracujá

Pelas rosas, pelos lírios,

Pelas abelhas, sinhá,

Pelas notas mais chorosas

Do canto do Sabiá,

Pelo cálice de angústias

Da flor do maracujá !

Pelo jasmim, pelo goivo,

Pelo agreste manacá,

Pelas gotas de sereno

Nas folhas do gravatá,

Pela coroa de espinhos

Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d’água

Que junto da fonte está,

Pelos colibris que brincam

Nas alvas plumas do ubá,

Pelos cravos desenhados

Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas

Que descem do Panamá,

Pelos tesouros ocultos

Nas minas do Sincorá,

Pelas chagas roxeadas

Da flor do maracujá !

Pelo mar, pelo deserto,

Pelas montanhas, sinhá !

Pelas florestas imensas

Que falam de Jeová !

Pela lança ensangüentado

Da flor do maracujá !

Por tudo que o céu revela !

Por tudo que a terra dá

Eu te juro que minh’alma

De tua alma escrava está !!..

Guarda contigo este emblema

Da flor do maracujá !

Não se enojem teus ouvidos

De tantas rimas em – a –

Mas ouve meus juramentos,

Meus cantos ouve, sinhá!

Te peço pelos mistérios

Da flor do maracujá!

Fagundes Varela

O Poeta

Poeta brasileiro. Sua obra romântica combina elementos do cristianismo primitivo ao lirismo e exaltação do Novo Mundo.

Ao romper com a vida urbana e levar a extremos a opção dos românticos pela natureza, Fagundes Varela criou uma obra marcada pela brasilidade, onde elementos de um cristianismo primitivo e puro unem-se ao lirismo da terra e à exaltação do Novo Mundo.

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Rio Claro RJ em 17 de agosto de 1841.

Estudou direito em São Paulo e, por um ano, no Recife, onde esteve em contato com Castro Alves, mas nunca concluiu o curso. Associado à chamada escola byroniana, tornou-se conhecido por seu desregramento e intensa vida boêmia. Rebelde ante as convenções sociais, traiu as expectativas familiares ao casar-se ainda estudante com uma bailarina de circo. O casamento durou pouco e terminou em tragédia: a morte de seu primeiro filho, aos três meses de idade, inspirou-lhe o “Cântico do calvário”, de emoção profunda, e foi seguida pela morte da esposa. Um segundo casamento não ajudou a enquadrar socialmente o poeta nem conseguiu afastá-lo da bebida, hábito que se tornou mais intenso e acabou por levá-lo à ruína.  Fagundes Varela morreu aos 33 anos, em Niterói RJ, em 18 de fevereiro de 1875.

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Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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