Categorias: Notas

Poesia

MADRIGAL MELANCÓLICA

O que eu adoro em ti

Não é sua beleza

A beleza é em nós que existe

A beleza é um conceito

E a beleza é triste

Não é triste em si

Mas pelo que há nela

De fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti

Não é a tua inteligência

Mas é o espírito sutil

Tão ágil e tão luminoso

Ave solta no céu matinal da montanha

Nem é tua ciência

Do coração dos homens e das coisas

O que eu adoro em ti

Não é a tua graça musical

Sucessiva e renovada a cada momento

Graça aérea como teu próprio momento

Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti

Não é a mãe que já perdi

E nem meu pai

O que eu adoro em tua natureza

Não é o profundo instinto matinal

Em teu flanco aberto como uma ferida

Nem a tua pureza. Nem a tua impureza

O que adoro em ti lastima-me e consola-me

O que eu adoro em ti é A VIDA !!!

Manoel Bandeira

O Poeta

Manuel Bandeira (Recife PE, 1884 – Rio de Janeiro RJ, 1968) teve publicado de seu primeiro poema, um soneto em alexandrinos, na primeira página do Correio da Manhã, em 1902, no Rio de Janeiro. Cursou Arquitetura, na Escola Politécnica, e Desenho de Ornato, no Liceu de Artes e Ofícios, entre 1903 e 1904; precisou abandonar os cursos, no entanto, devido à tuberculose.

Nos anos seguintes, passou longos períodos em estações climáticas, no Brasil e na Europa. No sanatório de Clavadel (Suíça), onde esteve entre 1913 e 1914, travou amizade com Paul Éluard e tomou contato com a literatura de vanguarda francesa. Voltando ao Brasil, passou a viver no Rio de Janeiro, onde publicou A Cinza das Horas, em 1917. No mesmo ano, teve publicada sua primeira crônica, no periódico carioca Rio Jornal. Apoiou a Semana de Arte Moderna, em 1922; seu poema Os Sapos foi lido por Ronald de Carvalho, em uma das sessões do Teatro Municipal de São Paulo.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
Temas: Manoel Bandeira

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