Categorias: Notas

Poesia

Palavras

Golpes,

De machado na madeira,

E os ecos!

Ecos que partem

A galope.

A seiva

Jorra como pranto, como

Água lutando

Para repor seu espelho

Sobre a rocha

Que cai e rola,

Crânio branco

Comido pelas ervas.

Anos depois, na estrada,

Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,

Bater de cascos incansável.

Enquanto

Do fundo do poço, estrelas fixas

Decidem uma vida.

Sylvia Plath

(Traduzido por Ana Cristina Cesar)

A Poetisa

Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, em 27 de outubro de 1932. Seu pai, Otto Plath, foi um imigrante alemão que chegou a ser professor de entomologia na Universidade de Boston. Otto, a partir da segunda metade da década de 30, começou a ter problemas de saúde e, convencido de que se tratava de câncer dos pulmões, recusou-se a um tratamento.

Em 1940, contudo, forçado a procurar um médico, devido a uma infecção no pé identificou-se que Otto, em lugar de câncer, tinha diabetes. Foi obrigado a amputar a perna e acabou por falecer em 5 de novembro de 1940. Essa morte, quando Sylvia tinha, apenas, oito anos, deixou, nela, cicatrizes psicológicas profundas, principalmente devido ao fato de que Sylvia, com certeza, tinha a propensão para o desenvolvimento de estados de depressão.

Ao mesmo tempo em que o pai se tornou uma espécie de referência para ela, trouxe-lhe também uma sensação de abandono e de mágoa, como se ele tivesse cometido suicídio, pelo fato de não ter se tratado adequadamente. Essa mesma sensação de abandono e mágoa veio a se manifestar após o término do seu casamento, desaguando, com muita força, na poesia “Daddy” (Papai), onde algumas pessoas encontram, no mesmo poema, referências emocionais, tanto ao pai quanto ao ex-marido.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
Temas: Poesiasylvia plath

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