OVEREND
Nada detrás deste silêncio de rocha,
nada detrás destas raízes
que pedem eternidade a uma terra que não existe.
E não descansa o ar dolorido e perfeito,
nem a solidão detida como um rio do céu,
distante e profunda
como o pestanejar dos planetas mais distantes.
Nada além de pensar
na rota extraviada dos navios
buscando cidades na bruma,
que as luzes apareciam debaixo de chuva,
ou quando o sol abria o horizonte
brilhavam com a neve nas três agulhas do Paine.
Também o mar sem trégua está presente
como algo de humano e taciturno dentro de sua baía,
rodeado por uma casca petrificada e vermelha,
inexpressiva e poderosa
como o sonho dos que se afogaram
longe da desvendada luz dos faróis.
E no entanto desvanece sua matéria oleosa
quando imita o vôo dos cinzentos petrelos.
Ao fim
além do que não aconteceu
e não conhecemos, porque tudo é mais antigo que o silêncio
a noite e as aves escuras se assemelham,
existem cidades de ouro onde nunca se morre,
existe a água que volta a construir distâncias
em busca de terra boa
para que reavivem os bosques.
Rolando Cárdenas
O Poeta
Rolando Cárdenas Vera (1933-1990) nasceu em Punta Arenas, extremo sul do Chile, poeta da geração de 50.
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