Inferno Canto I (trecho inicial)
No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.
Ah, como armar no ar uma figura
desta selva selvagem, dura, forte,
que, só de eu a pensar, me desfigura?
É quase tão amargo como a morte;
mas para expor o bem que encontrei,
outros dados darei da minha sorte.
Não me recordo ao certo como entrei,
tomado de uma sonolência estranha,
quando a ver a vereda abandonei.
Sei que cheguei ao pé de uma montanha,
lá onde aquele vale se extinguia,
que me deixara em solidão tamanha,
e vi que o ombro do monte aparecia
vestido já dos raios do planeta
que a toda gente pela estrada guia.
Então a angústia se calou, secreta,
lá no lago do peito onde imergira
a noite que tomou minha alma inquieta;
e como náufrago, depois que aspira o ar,
abraçado à areia, redivivo,vira-se ao mar
e longamente mira, o meu ânimo, ainda fugitivo,
voltou a contemplar aquele espaço
que nunca ultrapassou um homem vivo.(…)
Dante Alighieri (Tradução: Augusto de Campos)
O Poeta
Os americanos usam o termo founding fathers (pais-fundadores) para se referir a figuras como George Washington, Thomas Jefferson e Abraham Lincoln, que se destacam na formação de seu país. Talvez seja justo usar essa mesma expressão para fazer referência a escritores da magnitude de Dante Alighieri (1265-1321).
Poeta italiano nascido na cidade de Florença, autor de A Divina comédia, uma das obras poéticas fundamentais da literatura mundial, escrita em latim, considerada a primeira obra da literatura italiana, onde relata uma viagem imaginária pelo inferno, purgatório e paraíso, uma alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo.
De uma importante família burguesa do partido político dos guelfos, ficou órfão de mãe ainda cedo e fez estudos humanísticos que abrangeram a filosofia, a teologia e os clássicos latinos. O ambiente existente em Florença na época acentuou sua natural inclinação para as letras. Foi amigo de numerosos poetas e de pintores, como Giotto.
Entre seus mestres destacaram-se Brunetto Latini (que aparece na Comédia) e Guido Cavalcanti. Casou-se com Gemma Donati (1285), porém o grande amor platônico de sua vida foi Beatrice Portinari, que tinha apenas 12 anos quando a viu pela primeira vez. Com a precoce morte da jovem (1290), refugiou-se no estudo, entregando-se à leitura de autores cristãos e clássicos como Boécio, santo Agostinho, são Tomás de Aquino, Aristóteles, Ovídio e Lucano, atravessando um período de amadurecimento que o levou a várias mudanças em sua produção artística.
Por problemas estritamente políticos, foi acusado de improbidade administrativa e condenado a pagar uma multa de cinco mil florins, a permanecer confinado dois anos e proibido de exercer cargos públicos para o resto da vida (1303). Como negou-se a pagar a multa ou a se justificar, foi condenado à morte, iniciando sua longa vida de exílio.
De Siena partiu para Verona e depois em Bolonha (1304-1306). Com a expulsão dos exilados dessa cidade, iniciou nova peregrinação por terras italianas e sem conseguir a anistia de seus compatriotas florentinos, terminou seus dias em Ravenna, vitimado pela malária contraída nos pântanos de Veneza.
Além da sua obra prima, a Divina comédia (1308-1320), escreveu também outras de grade qualidade como La vita nuova (1283-1292) coletânea da juventude, reuniu, além de 31 poemas líricos dedicados a Beatrice Portinari, Il convivio (1304-1307) e De vulgari eloquentia (1305-1306).
Em Sobre a língua do povo, escrita em latim para os eruditos da época, defendia o uso do italiano nas obras poéticas. Dante, na realidade é a abreviatura de Durante, seu verdadeiro prenome.
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