Categorias: Poesias

Paulo Mendes Campos

O MORTO

Por que celeste transtorno

tarda-me o cosmo do sangue

o óleo grosso do morto?

Por que ver pelo meu olho?

Por que usar o meu corpo?

Se eu sou vivo e ele morto?

Por que pacto inconsentido

(ou miserável acordo)

Aninhou-se em mim o morto?

Que prazer mais decomposto

faz do meu peito intermédio

do peito ausente do morto?

Por que a tara do morto

é inserir sua pele

entre o meu e o outro corpo.

Se for do gosto do morto

o que como com desgosto

come o morto em minha boca.

Que secreto desacordo!

ser apenas o entreposto

de um corpo vivo e outro morto!

Ele é que é cheio, eu sou oco.

Biografia de Paulo Mendes Campos aqui

Marjorie Salu

Compartilhar
Publicado por
Marjorie Salu

Textos Recentes

DAS DROGAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao…

7 de março de 2026 17h38

DAS LAPINHAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) As lapinhas (também conhecidas como pastoril) fazem parte da tradição popular nas festas de Natal e…

4 de março de 2026 19h44

AS CADEIRAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em…

27 de fevereiro de 2026 19h36

DOS FASCISMOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) ... E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma…

18 de fevereiro de 2026 19h44

DAS FARSAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros…

14 de fevereiro de 2026 11h38

DO APOCALIPSE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto,…

8 de fevereiro de 2026 22h06