O Homem que sabe demais
Afastado da direção da Agência Brasileira de Inteligência desde o desfecho da Operação Satiagraha, congelado desde então, Paulo Lacerda foi nomeado para um cargo que teve de ser criado: adido policial em Lisboa. Vai para Portugal, portanto. Sai do Brasil. Quando vi a notícia na segunda-feira, fiquei em dúvida sobre sua aceitação do posto que surgiu do laboratório administrativo do Planalto.
Mas no dia seguinte, ao ler reportagem de Bernardo Mello Franco, em “O Globo”, e vi que houve uma solução negociada pelo ministro Tarso Genro, verifiquei, a menos que surja algo imprevisto, que Paulo Lacerda acolheu a tarefa. Tarefa singular, diga-se de passagem. Adido policial em Lisboa? Por que não em Paris, Londres, Roma ou Madri? Por que não Bogotá? O quer existe de tão perigoso na capital portuguesa em relação ao nosso País que exija lá a presença de um adido de segurança pública?
Francamente, a nomeação e a destinação podem até ser mal-interpretadas pelo governo de Portugal.
PEDRO DO COUTTO, jornalista
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