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O parceiro PMDB

O PMDB sabe a força que tem junto ao presidente Lula. Aliás, o presidente faz questão de reafirmar esta importância a cada momento. Por isso mesmo, de tempos em tempos, os representantes do partido vão ao gabinete do presidente apresentar suas queixas, suas pretensões e também lembrar, ainda que indiretamente,  que tanto podem estar de um lado como de outro na eleição presidencial do ano que vem.

Na noite de segunda-feira, Michel Temer e os líderes do partido na Câmara, Henrique Alves e o do governo no Senado, Romero Jucá, apresentaram a Lula a preocupação do partido com a ameaça de veto às novidades incluídas pelo partido nas Medidas Provisórias 449 e 457 – as que permitem a renegociação de dívidas de empresas e a segunda, de prefeituras.

Sob o argumento de acirramento da crise, o PMDB escancarou em bondades para empresas e prefeituras que têm dívidas com o governo. Se a idéia era dar prazo “até 240 meses” para pagamento dessas dívidas, o “até” caiu e a renegociação foi para vinte anos. E os juros, em lugar de Selic, ficou fixado na TJLP. Isso amplia muito os gastos do governo. Tem gente que fala em até R$ 200 bilhões.

O governo chiou e, por pressão do PMDB, haverá reunião nesta quarta-feira pela manhã, com Lula e o ministro Guido Mantega, em busca de uma solução negociada. O PMDB alega que tem 1.200 prefeitos em dificuldades por conta da crise. Quanto às empresas, que também serão beneficiadas, passou a chamar a MP 449 de “MP da crise”. E vai tentar dar um alívio a elas, com o aval de Lula.

O PMDB já havia feito chegar ao presidente seu descontentamento com demissões de aliados na Infraero. Uma reestruturação administrativa na empresa cortou quase cem cargos comissionados, de livre nomeação, onde estavam muitos afilhados de políticos do PMDB. Particularmente, de senadores peemedebistas. O partido reclamou com o ministro Nelson Jobim, que é da cota do partido. Não adiantou. Foi então a Lula – que é quem mais se preocupa em ter o PMDB ao lado do PT na eleição do ano que vem.

Lula está prometendo ao PMDB resolver as duas questões – as medidas provisórias que estão em tramitação no Congresso com as mudanças feitas pelo partido e pretende conversar, também, sobre o cargos de afilhados do PMDB. E foi ainda mais longe: lembrou que é preciso, desde já, acertar os palanques estaduais entre PT e PMDB. Isso acontece dias depois de Tarso Genro ter sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul lançada pelo PT local. O PT da Bahia também anda às turras com o PMDB e há risco de rompimento da aliança de 2006.

Como o presidente sabe da importância do partido agora e daqui a um ano, o PMDB pôs as faturas na mesa. E Lula vai avaliar como pagar. Ele pretende pagar para garantir o partido no palanque de Dilma Roussef, uma aliança considerada mais do que estratégia, indispensável.

Fonte: Cristiana Lobo/Portal G1

Miranda Sá

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