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História – há 75 anos…

4 de fevereiro de 1934 – O tango de Ernesto Nazaré

Ernesto Nazaré começou a estudar piano com sua mãe, Carolina da Cunha Nazaré, e sua primeira composição foi a polca-lundu Você Bem Sabe, dedicada ao seu pai, Vasco Loureiro da Silva Nazaré, a qual foi editada e colocada à venda. Ernesto formou-se, passou a dar aulas e continuou a compor.

Vendia milhares de partituras, mas devido à falta de regulamentação do direito autoral não conseguia receber o suficiente para sobreviver. Por causa de problemas financeiros o autor vendeu os direitos de Brejeiro, uma de suas composições mais famosas e considerada o marco do tango brasileiro, para a Editora Fontes e Cia. por 50 mil réis.

A música foi gravada pela banda da Guarda Republicana de Paris. O sucesso Apanhei-te Cavaquinho foi uma das suas únicas composições que ele denominou como choro. A valsa Dora foi dedicada a Teodora Amália de Meireles com quem Nazareth se casou, aos 23 anos. Para sustentar a família, o pianista trabalhou como escriturário no Tesouro Nacional.

Em 1917, começou a tocar na sala de espera do Cine Odeon. As pessoas lotavam o cinema para ouvi-lo tocar mais do que propriamente para ver o filme. Em 1910 já compusera o tango brasileiro Odeon inspirado naquele cinema. Em 1919 arrumou emprego na Casa Carlos Gomes, que mais tarde passou a chamar-se Carlos Wehrs. Lá Ernesto executava as partituras que os fregueses interessavam-se em comprar.

Compôs fox-trots, sambas e até marchas de carnaval por um breve período, em 1920. Participou, como pianista, da inauguração da Rádio MEC, em 1923. Os admiradores do artista arrecadaram dinheiro e deram-lhe um piano de cauda italiano da marca Sanzin, que hoje faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.

Surdez e loucura

Ernesto Nazaré começou a apresentar sinais de surdez aos 54 anos. Seis anos depois foi internado no Instituto Neurosifilis da Praia Vermelha com graves perturbações mentais, sendo transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá de onde desapareceu misteriosamente. O corpo do maestro foi encontrado três dias depois em uma represa.

O escritor Mário de Andrade e o maestro Villa-Lobos estavam entre os admiradores do compositor. Villa-Lobos reconheceu que o maestro foi uma das mais notáveis figuras da música brasileira, e o escritor fez uma conferência sobre a obra de Nazaré na Sociedade de Cultura Artística em São Paulo.

Fonte: Portal Terra/Fatos Históricos

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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