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História – há 47 anos…

23 de maio de 1962 — Cannes aplaude o ‘Pagador de Promessas’

O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte e estrelado por Leonardo Vilar, Glória Menezes e Norma Bengell, ganhou a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes. O filme foi escolhido entre 70 concorrentes, de 36 países. Também foram premiados pelo júri o Anjo exterminador, de Luiz Buñuel, e o Processo de Joana D’Arc e o Eclipse, ambos de Michelangelo Antonioni.

A peça de Dias Gomes adaptada para as telas foi encenada pela primeira vez no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, 1960 e conta a trágica história de Zé do Burro, personagem vivido por Leonardo Vilar e de sua mulher Rosa, personagem de Glória Menezes.

Zé do Burro, um humilde camponês, vai a um terreiro de candomblé e pede a Santa Bárbara que cure seu burro de estimação, ferido por um raio. Em troca o lavrador promete carregar uma enorme cruz do sítio onde mora até a igreja da santa, em Salvador, num percurso de 42 quilômetros. O animal se recupera e Zé do Burro começa a sua saga para cumprir a promessa. Quando chega à igreja, o padre não o deixa entrar, alegando que a promessa foi feita a Iansã, num terreiro, e ainda para sarar um burro. Depois de passar por muitos percalços e sofrimentos Zé do Burro morre em um confronto entre a polícia e a população, que o apoia. No final, o povo arrebenta as portas de igreja e leva o corpo de Zé do Burro até o altar.

O Pagador de Promessas foi o filme mais aplaudido do festival. Segundo Dias Gomes, a história não é anti-clerical. O tema central é o mito da liberdade. “O Pagador de Promessas defende o direito que cada homem tem de cumprir suas promessas, tal como ele as entende. Quer sejam feitas a Deus, ao demônio ou a uma ideia”, resume o autor.

Peça ganhou 22 prêmios

A peça ganhou 22 prêmios teatrais, entre eles o Prêmio Nacional de Teatro, do Instituto Nacional do Livro. Foi traduzida, na época, para inglês, alemão, francês e polonês, além de ser encenada na Broadway.

Dias Gomes disse que vendeu o texto por CR$ 400 mil para Anselmo Duarte, logo que acabou a temporada de 4 meses em São Paulo. “Confesso que agora (a venda) seria um mal negócio”, comentou Dias Gomes. Depois de exibido no festival, o filme foi vendido por 100 mil dólares para a Alemanha, França e Suíça.

Fonte: JB História

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
Temas: Pagador de Promessas

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