Categorias: Notas

História – há 45 anos…

1964 – Realizado o Comício das Reformas, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

Com a presença e discursos do presidente João Goulart, do deputado Leonel Brizola, do governdor Miguel Arraes e do secretário-geral do PCB Luis Carlos Prestes.

Organizado por líderes do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), o comício reuniu cerca de 150 mil pessoas, incluindo membros de entidades sindicais e outras organizações de trabalhadores da cidade e do campo, servidores públicos civis e militares, estudantes e demais camadas populares.

Tinha por finalidade demonstrar a decisão do governo federal de implementar as “reformas de base” e defender as liberdades democráticas e sindicais.

Por não contar com a Polícia do estado da Guanabara, pois o governador Carlos Lacerda era um dos principais opositores de Jango, o governo convocou cerca de 2.500 soldados da Polícia do Exército para fazer a segurança do comício.

No palanque presidencial, estavam presentes os chefes dos gabinetes Civil, Darci Ribeiro, e Militar, general Assis Brasil, o ministro da Justiça Abelardo Jurema, e os três ministros militares, general Jair Dantas Ribeiro (Guerra), almirante Sílvio Mota (Marinha) e brigadeiro Anísio Botelho (Aeronáutica).

Ainda no palanque encontravam-se os governadores Miguel Arraes (PE), Seixas Dória (SE) e Badger da Silveira (RJ), além de deputados federais e estaduais.

Durante o comício, Jango assinou dois decretos: o decreto da Supra (Superintendência da Reforma Agrária), que desapropriava todas as propriedades de mais de 100 hectares localizadas em uma faixa de 10km à margem de ferrovias e rodovias federais; e o decreto das refinarias, que nacionalizava todas as refinarias particulares de petróleo – as principais eram Capuava, do grupo Soares Sampaio; Manguinhos, do grupo Peixoto de Castro; Alberto Pasqualini, do grupo Ipiranga, e Mataripe, da Bahia.

O discurso do presidente foi considerado violentíssimo e alarmou as camadas médias da população.

Imediatamente, as repercussões se fizeram sentir em todas as partes do país, e manifestações oposicionistas irromperam em São Paulo e Belo Horizonte, provocadas por grupos conservadores, civis e militares, enquanto a União Democrática Nacional (UDN) e parte do Partido Social Democrático (PSD) e outros partidos menores pediam o impeachment de João Goulart.

A partir do comício da Central, o governo Goulart foi se enfraquecendo cada vez mais, perdendo apoios à direita e à esquerda (que também não confiava no presidente), acabando por ser deposto no golpe de 31 de março de 1964.

Fonte: Lucia Hippolito

Marjorie Salu

Compartilhar
Publicado por
Marjorie Salu

Textos Recentes

DA CONSCÊNCIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) Nesta última semana da campanha eleitoral, escorrego sobre um tapete reza no tobogã da consciência,  admirando…

20 de outubro de 2026 16h17

DAS PAIXÕES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) Civilização significa tudo aquilo que os seres humanos desenvolveram ao longo dos anos para se sobrepor…

13 de outubro de 2026 9h27

MODO GAVIÃO

MIRANDA SÁ ( Email: mirandasa@uol.com.br) Apesar de não usar aparelhos eletrônicos em viagens aéreas, ficava sempre curioso quando o comissário…

7 de outubro de 2026 17h28

BANÂNIA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) Diante da bruzundanguisse que assistimos no Brasil de hoje, é impossível para os que pensam livremente…

28 de setembro de 2026 18h51

números.com

MIRANDA SÁ (E-mail mirandasa@uol.com.br) Quando acompanho as bombásticas divulgações de pesquisas eleitorais os números que me vêm à cabeça não…

22 de setembro de 2026 18h03

castigo.com

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) Visitando a UTI da Gramática, como de vez em quando faço, encontrei lá prostrada a palavra…

13 de setembro de 2026 20h17