28/01/1997 – Os caminhos de Antonio Callado
Antonio Callado formou-se em Direito em 1939, mas nunca advogou. Em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, foi contratado pela BBC de Londres como redator. Em Londres viveu momentos dramáticos, com os bombardeios aéreos promovidos pelos alemães. Depois da libertação de Paris, trabalhou no serviço brasileiro da Radio-Diffusion Française.
Retornou ao Brasil com vasta experiência como correspondente de guerra. Voltou para o Correio da Manhã onde já havia trabalhado quando estudava Direito e passou a colaborar em O Globo.
Deixou o jornalismo por um breve período quando foi contratado pela Enciclopédia Britânica para chefiar redação da Enciclopédia Barsa, publicada em 1963. Em seguida foi para o Jornal do Brasil quando foi enviado ao Vietnã para cobrir a guerra.
Callado deu aulas nas universidades de Cambridge, na Grã-Bretanha, e de Columbia, nos Estados Unidos. Em 1975, passou a dedicar-se inteiramente à literatura.
O encontro do escritor e os principais temas de sua obra deu-se por intermédio do jornalismo, desde o período em que esteve na Europa e em lugares como Bogotá, Washington, Xingu e Havana.
O escritor, jornalista e teatrólogo morreu dois dias depois de completar 80 anos.
Resistência ao regime militar
Os livros Quarup (1967), Bar Don Juan (1971), Reflexos do baile (1976), e Sempreviva (1981) apresentam um retrato do Brasil durante o regime militar. Sua oposição à ditadura custou-lhe duas prisões. A primeira em 1964, logo após o golpe militar, e a outra em 1968, após o fechamento do Congresso em face do AI-5.
Reuniu quatro de suas peças teatrais no volume A Revolta da Cachaça. Uma delas, Pedro Mico foi transformada em filme estrelado por Pelé.
Callado foi eleito em 1994 para ocupar a cadeira de número 8 da Academia Brasileira de Letras, como sucessor de Austregésilo de Athayde.
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