Os comandantes militares das tropas que participam das operações policiais no Alemão preparam um documento a ser encaminhado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, no qual estabelecem normas para a ação dos militares, fixando o tempo de atuação naquelas comunidades. Eles não querem ficar no local por mais sete meses, como pediu inicialmente o governador Sérgio Cabral, pois acham que quanta mais tempo na operação maior é o risco de os soldados serem “contaminados” por maus policiais, que assaltam moradores e colaboram com o tráfico. Os militares temem também a retaliação de traficantes contra os paraquedistas, já que boa parte dos 800 homens do Exército empregados nas ações mora no Rio, em regiões e comunidades pobres.
As favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio, dominadas pelo tráfico até a semana passada, passarão a ser patrulhadas pelo Exército nos moldes do que ocorre no Haiti.
“[A diferença é que] aqui é no Brasil, lá é outro país”, disse Enzo Peri, comandante do Exército. Prevê-se usar a “força de paz” na segunda etapa da operação, o que pode ocorrer ainda em 2010.
Esse emprego da Força com poder de polícia será o primeiro desde a redemocratização no Brasil. “Já fizemos ações policiais, mas com essa magnitude será a primeira vez”, afirmou Peri.
A Secretaria de Segurança determinou ontem que todas as 13 UPPs do Rio entrem em alerta para impedir o acesso de fugitivos do Complexo do Alemão. A ordem veio depois da invasão, anteontem de madrugada, da casa de um perito da Polícia Federal, na Vista Chinesa, por criminosos que teriam escapado do cerco no Alemão, no fim de semana.
Uma semana após as operações policiais e militares na Vila Cruzeiro e no Alemão, os índices de roubos de veículos em todo o estado caíram 63%. Na Zona Norte, onde ficam as favelas ocupadas, a estimativa é que a queda ultrapasse o patamar de 90%. Outra bazuca foi encontrada ontem por PMs na área conhecida como Areal, no Alemão.
A megaoperação nas favelas do Alemão e da Penha teve 17 ou 37 mortos, dependendo da contagem realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio. Denúncias nas comunidades sugerem que a matança foi ainda maior.
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