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ESCÂNDALOS

MIRANDA Sá (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A palavra escândalo caiu em desuso no Brasil, porque nada mais escandaliza o brasileiro”  (@HugoAg0go)

Eu não consigo, desde a adolescência, compactuar com os políticos corruptos que assolam o País desde aquele tempo; foi por isto que me alegrei com a chegada da Lava Jato e o processo de perseguição aos corruptos e a prisão do ex-presidente Lula.

Continuo me escandalizando, e ficou atravessada na garganta minha revolta contra a aliança dos corruptos e os garantistas do STF para anular as sentenças do ex-juiz Sérgio Moro, do TRF4 e das investigações do MPF e PF contra a corrupção dos governos lulopetistas.

Revolta ainda mais ver-se o próprio TSJ (que também sentenciou o corrupto Lula da Silva à prisão), condenar o procurador Deltan Dallagnol a pagar indenização para o Pelegão “por danos morais”…. Dallagnol, que investigou e comprovou a delinquência do ex-presidente, passou a ser culpado pela denúncia feita.

Com Lula livre, leve e solto, assistimos agora o remake do filme policial em que foi personagem. É a película “CORRUPÇÃO – O RETORNO”, mostrando o general Braga Neto na Casa Civil atuando com o capitão Bolsonaro em favor de um projeto de lei favorável à Associação Brasileira de Clínica de Vacinas – ABCEVAC – contratante com a Precisa Medicamentos para fornecer a vacina indiana Covaxin.

Sem desmentidos do Governo Federal até hoje, Bolsonaro e Braga Neto assumiram o compromisso de comprar 20 milhões de doses da Covaxin de ‘facilitadores políticos’ que iriam receber ‘comissionamentos’ na transação.

Deu-se desta maneira, segundo a CPI da Covid, o mais-que-perfeito esquema de “rachadinhas oficiais” na gestão do general Pazuello, cercado de militares à frente do Ministério da Saúde.

Noutro escândalo, é impossível negar que Pazuello negociou pessoalmente a compra da vacina Coronavac de intermediários amigos da família Bolsonaro por quase o triplo do preço negociado pelo Instituto Butantan.

É impressionante constatar-se que enquanto o povo necessitava de vacinas para enfrentar a pandemia, os responsáveis pelo Governo Federal se preocupavam em extrair propinas; um verdadeiro escândalo.

À época, um editorial do Estadão foi incisivo: “ À medida que as investigações da CPI da Covid avançam no Ministério da Saúde, vêm à tona indícios não de sistema sofisticado de fraudes, mas de trambique, mutreta, picaretagem, tramoia. ”

No roteiro das cenas revoltantes, observa-se o paradoxo entre clarinadas de honestidade (noves fora as rachadinhas e cheques de Queiroz para Michele) e a realidade. Faz-se sob o silêncio da tropa bolsopetista, felizmente reduzida aos que se degeneraram pelo fanático culto à personalidade do capitão Bolsonaro.

Chegando aos anos 2022, o filme “CORRUPÇÃO – O RETORNO”, recém lançado no auditório da política, mostra reuniões de um gabinete paralelo no Ministério da Educação coordenadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, sem vínculos com a pasta, mas controlando empenhos de R$ 9,7 milhões.

Além de tudo, até pedidos de barras de ouro, estes “lobistas religiosos” controlam “em nome de Cristo” a agenda do ministro Milton Ribeiro apoiados pelo capitão Bolsonaro, segundo o próprio titular da Pasta em vídeo amplamente divulgado.

O Ministro, justificando-se, diz que obteve com seus parceiros uma ótima taxa de agilidade na liberação de verbas de repasses federais. Fora dos padrões, se o prefeito “colaborar”, tem 18 dias para a grana chegar.

Neste imbróglio aparece disfarçadamente o dinheiro público destinado para construção de templos. Deste modo crescem os escândalos no Governo Bolsonaro, que joga na lata do lixo a ética e a honestidade.

Pela atual inversão dos valores, juízes, policiais e procuradores vacilam em entrar nesta briga temendo ser condenados por denunciar a corrupção, como fez o STJ dando ganho de causa ao corrupto Lula da Silva punindo o procurador Deltan Dallagnol que o denunciou.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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