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DO FANATISMO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Peço humildemente aos que acessarem este artigo para ler, reler, analisar e refletir sobre o pensamento de Nietzsche, que considero uma metáfora perfeita para ser aplicada na conjuntura política atual: “Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música…”

Da minha parte, encontro o simbolismo primoroso sobre a origem do fanatismo que alimenta a nojenta polarização populista da falsa direita e da falsa esquerda: é a surdez enfermiça das massas para o grito acusatório; e a audição entusiasta dos que ouvem a percussão e o ritmo da verdade.

Para os religiosos, lembro que a Bíblia expõe o fanatismo como um desvio da verdadeira fé; lição mal entendida pelos fariseus e escribas hipócritas politiqueiros de denominações cristãs que interpretam em proveito próprio textos das Escrituras, incentivando posturas fanáticas.

Em vez do equilíbrio e do discernimento, muitos misturam religião e política adotando a intolerância como temos assistido no Brasil. E desta salada mista nasce a psicopatia do fanatismo criando o culto da personalidade de líderes políticos.

A historicidade do fanatismo marca o extremismo político com a tatuagem indelével dos regimes autoritários com a sua mobilização ideológica. Esses sistemas políticos retrataram no século passado o fanatismo coletivo associado ao uso intenso de propaganda. Assim se viu no regime hitlerista alemão semelhante ao fascismo mussoliniano e na URSS sob Joseph Stalin.

Mostrou-se então uma adesão quase religiosa à ideologia reinante, e a História registra em arquivos, discursos, registros de propaganda cinematográfica, testemunhos de sobreviventes e estudos acadêmicos.

A submissão das massas às ideologias radicais surge, cresce e se mantém pelas crises sociais, econômicas e políticas; e não surgem isoladamente. Uma e outra são induzidas pela manipulação demagógica de um lado e reprimindo sistematicamente protestos surgidos da indignação popular contra o arbítrio.

Com bandeiras e slogans, explora-se o nacionalismo exacerbado e a exigência simbólica de lealdade à Pátria, como fizeram (e fazem) os regimes totalitários, estimulando o fanatismo num contexto discursivo. A propaganda massiva onde as palavras, expressões e frases impostas pela repetição são aceitas inconsciente e mecanicamente, como bem expressou o professor doutor Victor Klemperer, analisando a filologia do nazismo.

Sabemos que não é fácil para as gerações pósteras da “guerra fria” compreenderem o que ocorreu nas ditaduras ideológicas da direita e da esquerda, fascismo, nazismo e stalinismo. Para isto é essencial recorrer às pesquisas de fontes documentais da época; por isto, muitos historiadores destacam a importância de evitar interpretações falsas divulgadas ideologicamente por extremistas.

No Brasil, essas interpretações são superficiais, mas enganam muitas pessoas que confundem os conceitos de direita e esquerda com os populismos bolsonarista e lulopetista; mas não é difícil ver-se a substituição das ideologias conservadora e progressista pelo populismo na polarização eleitoral entre a Famiglia Bolsonaro e o Lulopetismo.

Neste embate fraudulento, se redefine os conceitos ideológicos substituindo-os pelo populismo assistencialista da falsa Direita e d falsa Esquerda, baseado em narrativas emocionais e esmolas eleitorais que viciam e estimulam a preguiça das massas.

Quanto ao “lulopetismo mascarado de socialismo”, lembro Rosa de Luxemburgo refletindo que “com homens preguiçosos, levianos, egoístas, irrefletidos e indiferentes não se pode realizar o socialismo”, a esta reflexão acrescento “e os que se vendem ao assistencialismo populista não sobreviverão no mundo do trabalho”.

Da outra perspectiva, a “direita bolsonarista” adotou, não um governo conservador, mas o nepotismo familiocrata baseado e apoiado por uma espécie de “sindicalismo militar-policial” e voltado unicamente para os Bolsonaro, como se viu na derrubada da Lava Jato para salvar filhos delinquentes.

Os dois polos, Famiglia Bolsonaro e Lula, centralizadores e arbitrários, são sustentados pela enganadora dicotomia de falsas “direita” e “esquerda”, uma distorção dos significados originais e transformados apenas em instrumentos retóricos.

Fortalecido pelo fanatismo, este esquema populista dificulta e muitas vezes obstrui a convivência democrática e o desenvolvimento econômico; mas o que importa aos fanáticos são os ganhos imediatistas proporcionados pelo Sistema Corrupto que manipula os fantoches que eles cultuam….

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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