Crianças negras e Barack Obama
Todas as crianças negras do mundo passarão os próximos quatro anos vendo nas páginas dos jornais, nas telas da TV, em imagens no mundo inteiro a fotos do presidente dos Estados Unidos. Só isso já provocará uma enorme mudança no ponto que é talvez mais importante: a auto-estima.
Vítima das ofensas diárias, dos gestos que parecem imperceptíveis de discriminação, mas que massacram a auto-estima, das piadas grosseiras, os negros brasileiros vão apequenando seus sonhos. Eles só vêem exemplos de sucesso no futebol, nas artes. São poucos por aqui os exemplos de sucesso em outras áreas, como a do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. E exemplos são poderosos.
Crianças negras, daqui e do mundo inteiro, estarão recebendo a mensagem de que sim, é possível. É possível sonhar em ser mais, em querer mais, em entrar em portas antes fechadas, em áreas que se pensava inatingíveis.
No Brasil quem sabe – e este é o meu sonho – o debate vai amadurecer e passar a ser contemporâneo. Aqui se fala o que se dizia há um século. E é mito. O mito da igualdade racial, o mito do “aqui só se discrimina por razões sociais”, os tantos mitos repetidos como verdade inquestionável por tanta gente cujo nível de escolaridade permitiria que abrisse os olhos para ver a sociedade que o Brasil vive para as desigualdades intoleráveis com as quais convivemos.
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