Nem todo mundo é político – graças a Deus. Em outros setores da faina humana, as coisas são diferentes. Dou um exemplo: Monteiro Lobato queria entrar na Academia Brasileira de Letras, tentou três vezes, retirando a candidatura que já lançara.
Numa das vezes, tinha tudo para ser eleito, inclusive com o voto de Getúlio Vargas, que tomara posse após uma reforma no regimento da ABL. Com o prestígio, a popularidade e o valor literário consagrados, Lobato já podia encomendar o fardão.
Mas o jornalista Júlio Mesquita, seu amigo e admirador, ponderou: “Você vai sentar ao lado do homem que o prendeu e o manteve preso tantos anos!” No mesmo dia, Lobato retirou sua candidatura.
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