Melhor parte
No anúncio do pacote de habitação Lula deixou a regra clara: “Não quero ninguém me cobrando prazo.”
Quer dizer, firmado o compromisso com o lançamento do projeto, carimbara a autoria e, garantido o bônus político decorrente, tudo o mais que se refira à promessa de construção de 1 milhão de casas populares – vale dizer, execução e conclusão do projeto – está fora da alçada do presidente.
Se algum dia for concluído, terá sido obra de Lula. Se ficar aquém do prometido ou não passar da fase das boas intenções, a responsabilidade será do governante da vez.
É mais ou menos a lógica aplicada à política econômica: enquanto o mundo cresceu e favoreceu o Brasil, a bonança interna era uma realização do homem que veio de baixo e fez o que “nunca antes neste país” havia sido feito. Quando a canoa virou, inverteu-se a relação de causa e efeito e espetou-se a conta nas costas da “gente branca e olhos azuis”.
DORA KRAMER, jornalista
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