O senador Simon entra em cena como um novo fator de pressão para que assuntos de interesse público sejam de fato debatidos e resolvidos em público – e não arquivados em gabinetes pelos conchavos de agendas ocultas. O que está em jogo é mais do que a sorte de possíveis corruptos: está em jogo a capacidade que temos, como imprensa e como sociedade, de esclarecer mais esse capítulo de miséria ética que tem por protagonista a chamada “classe política” (essa estranha categoria profissional que, em sua maioria, desconhece noções de classe, tanto em sentido marxista como em sentido de boa educação). Está em jogo, enfim, saber se a roupa (pública) suja (por interesses inconfessáveis) será mesmo lavada em público, como deve ser, ou será (de novo) escondida pelos caciques incomodados.
Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP
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