Serviços públicos
O modelo histórico de sucesso para as instituições democráticas dos países mais desenvolvidos – a dupla legitimidade dada por um governo ativo e por uma administração pública eficaz – enfraqueceu-se muito desde os anos 1980 com as novas teses neoliberais e privatistas. Declinou a capacidade do Estado de intervir eficientemente e caiu a confiança dos cidadãos em seus dirigentes.
Numa sociedade de particularismos, a noção de gestão da administração pública com regras gerais não se sustenta mais. Os serviços se terceirizam e a figura do funcionário público perde prestígio. O poder administrativo não tem mais a legitimidade moral e profissional que havia fundado suas pretensões de equilibrador do Poder do Executivo e intérprete do interesse permanente do cidadão. Uma pena!
Faria muito bem às nossas democracias terem como aliadas de sua legitimidade serviços públicos de boa qualidade e funcionários com vocação para o interesse geral. Ainda temos como caminhar nessa direção? Ou se trata de uma ilusão de ano-novo que o maldito realismo de mercado, e agora a crise, vão enterrar de vez?
Gilberto Dupas, professor e coordenador-geral do IRI-USP
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