Esse carnaval vai longe
O carnaval é o período consagrado à folia em que as coisas não são o que parecem, mas foi muito antes da inauguração do reinado de Momo que, sob o signo da fantasia, da farsa, do disfarce, em suma da carnavalização, começou a ganhar ritmo a campanha pela sucessão presidencial de 2010. Desfila nas ruas, desde o ano passado, com o samba-enredo composto pelo sempre folgazão – no bom sentido, evidentemente – Luiz Inácio Lula da Silva, o bloco da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Na sua roupagem mais vistosa, Dilma é a “mãe do PAC”, agraciada pelas lantejoulas com que o cordão do lulismo exalta as suas virtudes maternais, o zelo incansável pela sublime missão que abraçou de nutrir o crescimento do Brasil. É também a “sacerdotisa do serviço público”, na barroca declamação do senador José Sarney, promovido por ela, em retribuição, a “presidente para sempre do Brasil”.
CARLOS CHAGAS, jornalista
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