EPÍSTOLA AOS TRANSEUNTES
Tradução de Antonio Miranda
Renovo meu dia de coelho
minha noite de elefante em descanso.
E, para mim, digo:
esta é minha imensidade em bruto, a cântaros,
éste é meu grato peso, que me buscara debaixo para pássaro;
este é meu braço
que por conta própria recusou ser asa,
estas são minhas sagradas escrituras,
estes meus alarmados testículos.
Lúgubre ilha me iluminará continental,
enquanto o capitólio se apóie em meu íntimo deslize
e a assembléia de lanças clausure meu desfile.
Mas quando eu morrer
de vida e não de tempo,
quando cheguem a duas minhas duas maletas
este há de ser meu estômago em que coube minha lâmpada em pedaços,
esta aquela cabeça que expiou os tormentos do círculo em meus passos,
estes esses vermes que o coração contou em unidades,
este há de meu corpo solidário
pelo qual vela a alma individual; este há de ser
meu umbigo em que matei piolhos natos,
esta minha coisa coisa, minha coisa tremebunda.
Entanto, convulsiva, asperamente
convalesce meu freio,
sofrendo como sofro da linguagem direta do leão;
e, posto que eu existi entre duas potestades de ladrilho,
convalesço eu mesmo, sorrindo de meus lábios.
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