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Artigo/Jornal de Natal

Campanha oficial: um arrastão político

MIRANDA SÁ, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

Foi-se o tempo da troca de votos por sandálias, cortes de pano ou notas de cinco mil réia. Depois disso, o mercado de compra e venda de consciências evoluiu para novas e mais valiosas mercadorias, como cestas básicas, dentadutras e laqueamento de trompas; hoje, a moeda são os chamados “programas sociais”.

A antiga (e imoral) prática do coronelato foi adotada por governantes amorais. Hoje ocupando a cadeira presidencial, Lula da Silva era um dos condenavam o estímulo ao clientelismo pelo governo chamando-a de “esmolas”, mas hoje faz a mesma coisa ampliada e explícita.

As críticas desapareceram sob o manto de uma justificativa torpe, a defesa da distribuição da riqueza nacional através de “políticas sociais”. Este silêncio cúmplice está presente nas universidades, órgãos de pesquisa, na mídia r ns cabeça dos intelectuais. Ou intercâmbio de votos por verbas públicas é considerado habitual ou, simplesmente, desculpável.

Ocorre  é que transformar o eleitorado como valor de troca é um atentado à democracia e mais do que isso, é um crime eleitoral grave, previsto na legislação.

Vou além. As “esmolas” (o termo é de Lula, usado na campanha de 1998) representam a substituição das necessidades sociais básicas, como educação, moradia, saúde e segurança, por demagogia palanqueira enfeitada de novas propostas de auxílio para compensar a pobreza.

O discurso demagógico é direto e varre para debaixo do tapete da consciência coletiva os problemas que afligem a sociedade. Assim se viu nos comícios que Lula da Silva e sua comitiva fazem na região do São Francisco e às obras virtuais. Ali, o palanque oficial escondee a vergonhosa situação do país no IDH da ONU, a fraude do Enem e o abafamento de investigações na Petrobras.

Com muita lucidez, a jornalista Dora Kramer analisa a situação pré-eleitoral escrevendo que “o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. “E pelas piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade, que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o País”.

A articulista ressalta que “os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de apontar o que está errado”.

Nada mais real. Assistimos os ilícitos eleitorais, a máquina administrativa governamental posta a serviço de candidatos e a propaganda institucional induzindo o povo a acreditar nos factóides fabricados em série.

Esta situação ilegal não precisa de provas, basta que se pergunte o porquê da vistoria presidencial das obras que não teem verbas para ser tocadas, como ocorre com a transposição das águas do Rio São Francisco.

Do ponto de vista político, os acontecidos e acontecendos não passam de um arrastão político igual aos que os pivetes fazem nas praias do Rio de Janeiro. Lá levam celulares, camisas e relógios; na campanha sucessória pungam da consciência nacional as reivindicações básicas de Educação, Moradia, Saúde e Segurança.

Miranda Sá

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