Reeleição implantará ditadura dos pelegos
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Semana passada, reunido com a bancada do PDT no Senado, Lula da Silva disse que “se o PT me obrigar ao terceiro mandato, eu rompo com o PT”.
Isto satisfez ao senador Cristóvam Buarque, disposto com os seus colegas a combater a idéia golpista da re-reeleição. Cristóvam não é ingênuo, mas é político e tem interesses estranhos como se viu na defesa que fez do reitor Timothy Mulholland; sua confiança na palavra de Lula, portanto, não deve ter o aval dos defensores do sistema democrático.
Lula diz e se desdiz ao bel prazer. Ademais, quem viu a defesa que fez de Zé Dirceu, dos mensaleiros, de Palocci e dos aloprados não pode acreditar nele, ao contrário, não pode sequer confiar desconfiando… Como ter fé em quem faz parceria com Renan Calheiros e afaga uma figura execrável como Severino Oliveira?
Não será um simples comentário numa reunião informal que afastará o medo do golpe de mão do continuísmo. Ele cochicha com políticos aliados, mas não desautoriza o velho companheiro e amigo íntimo, deputado petista Devanir Ribeiro, a apresentar a Proposta de Emenda Constitucional, PEC, sugerindo mudanças na Constituição para permitir um terceiro mandato. Isto, por si só é um sinal de que sua rejeição ao golpe é para círculos restritos.
O continuísmo é a verdadeira herança maldita de FHC, que mandou rasgar seus livros e enlameou seu passado político igualando-se a Fujimori, Carlos Menem, Uribe e Chávez, democratas de opereta. Quem não se lembra quando o nipo-peruano inventou a reeleição nos fins do século passado? E só interrompeu a indesejável repescagem de mandatos porque foi apanhado e destituído por atos de corrupção ativa.
Com a repulsiva carreira interrompida, fugiu para o Japão e hoje responde a processo em seu país. O exemplo dos seus imitadores está à vista: FHC e Menem curtem um ostracismo melancólico. O daqui se mantém em público aproveitando a falta matérias nos jornais paulistas; e o da Argentina está preso domiciliarmente, acusado de corrupção.
Os que se mantêm no poder, Chávez e Uribe, assentam-se na força militar. Chávez, ele próprio coronel do Exército Venezuelano, desenvolve uma revolução virtual permanente, reprimindo violentamente as manifestações oposicionistas, enquanto Uribe se auto-justifica pelo combate ao narcotráfico e às FARC, que proporcionam uma vantajosa aliança com os EUA.
Não dá para imaginar o que ocorreria no Brasil depois de um golpe contra a Constituição e a oficialização da República Sindicalista como querem os pelegos. Afinal, apesar do hilariante quadro que os governantes latino-americanos oferecem para história de suas nações, o Brasil se impõe pela vocação democrática do seu povo. Este país não é uma Bolívia nem um Equador. Não é discriminação, não, é a constatação da realidade. Sabe-se que os presidentes dessas duas nações, Evo Morales e Rafael Correa, conspiram para se manter no poder, como fazem aqui alguns setores do PT-partido; mas a Bolívia está dividida e o Equador é um rato que ruge por uma guerra nos Andes.
O Brasil também não é a Argentina onde, em ritmo de tango, o casal Kirchner inventou um passo para se equilibrar no salão de despachos da Casa Rosada. Aqui, Lula da Silva sabe que não será fácil impor ao Legislativo e ao Judiciário a barulheira dos tambores peronistas. Nem dona Mariza Letícia é vocacionada para a política nem pretende eleger-se presidenta da República, até onde se sabe…
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