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Artigo saído n’ O JORNAL DE NATAL

A revolução das mulheres lulistas-petistas

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail:
mirandasa@uol.com.br

Fui ao Mein Kampf, edição de Mestre Jou de 1962, riquíssimo presente do meu amigo Tadeu, companheiro dos meus primeiro anos de Natal, inteligente e estudioso. Poucos possuem a “bíblia hitlerista” como eu, e folheei-a por causa do tumulto provocado pela citação que o senador Mão Santa fez do livro.

O Senador piauiense leu o trecho de um artigo de Joseph Goebbels, ministro da propaganda do III Reich – a Alemanha Nazista. Herr Goebbles, baseado no livro de Hitler, orientou os agitadores do partido a se espalhar pelos quatro cantos do país e gritar “obras, obras, obras”, como uma galinha cacarejadora.

Realmente o líder nazi-fascista dá uma aula de agitação e propaganda na segunda parte de suas memórias, capítulo XI, “Propaganda e Organização” às páginas 361 da edição citada.

A discussão estimulada por Mão Santa girou em torno de uma comparação feita por ele da ministra Dilma Rousseff com as galinhas cacarejadoras de Goeblles e os agitadores permanentes de Hitler, nas viagens que faz para falar da obras, obras, obras do PAC.

Ele falou de cópia da estratégia de Goebbels para propagandear o PAC e disse que Dilma era uma “galinha cacarejadora” como aquelas que faziam a agitação promovida pelo regime nazista. Esta colocação levou à tribuna a senadora Ideli Salvatti, líder do PT, que rebateu Mão Santa dizendo que “não vou admitir, como mulher, que qualquer mulher seja desrespeitada”.

A intervenção da liderança lulista-petista desafiou as mulheres da base a fazer uma revolução assembleísta no plenário da Alta Câmara com repetidos discursos e leituras constrangidas de comunicados e manifestos. No momento dos furibundos discursos julgaca-se, no Pará, a juíza que autorizou a prisão de uma menina entre 40 homens, sendo várias vezes violentada. Mas o importante para as revolucionárias de salão é que a mãe do PAC não pode ser cotejada com uma galinha…

Um intelectual norte-riograndense, o pintor e poeta Eduardo Alexandre, tem um pensamento antológico, aliás, já pichado em paredes de Natal. “A revolução não será televisionada”. É isto, a revolução autêntica, transformadora e progressista não se fará cacarejante sob os holofotes.
Esta revolução me parece está nos supermercados com os consumidores protestando contra a carestia inexplicável num sistema econômico que baniu a inflação. A revolução no Brasil está nas portas e corredores de hospitais do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife, entre outras capitais, com mães lamentando o desamparo dos filhos com dengue por falta de atendimento médico.

A revolução está nos velórios e na beira dos túmulos das mortes causadas pela falta de saneamento básico, pelo abandono da assistência médica pública que hoje cede lugar às sanguessugas e aos fabricantes de remédios.

Fora da realidade, pelegos e pelegas, eles de terno e gravata e elas vestidas prète-a-porter, não se preocupam com o destino do povo. Confiam na experiência de que as massas são sempre governistas e graças à herança do coronelato, se vendem por uma cesta básica. Pesquisas de opinião mostram a força do programa Bolsa-Família – a fábrica de votos do PT-governo.
Petistas-lulistas estão em campanha eleitoral e no palanque, um Lula da Silva obeso de apoios no Ibope discursa arrogante acusando a oposição. Faz-se de vítima repetindo a mini-biografia do sobrevivente, retirante miserável, aprendiz do Senai e torneiro mecânico.

Seria justo que este perfil mostrasse também sua carreira sindical e a pós-graduação da pelegagem que o ensinou a atropelar os “companheiros” e adotar a ideologia da amoralidade, executada agora quando afastou a fiscalização do TCU na contabilidade sindical.

Não é olhando para trás como a mulher de Ló, porque não quero me transformar numa estátua de sal; mas vale a pena capitular a História Contemporânea do Brasil voltando o olhar crítico para o tempo em que o PT foi oposição.

É bom relembrarmos as bandeiras levantadas nos primeiros dias do partido, afirmando a defesa da ética e da moralidade públicas, defendendo as liberdades democráticas, o combate às discriminações e a implantação da justiça social.

Hoje, ao reverso, assiste-se Lula da Silva acender uma vela ao povo e outra aos banqueiros. Vêem-se os petistas e seus satélites no poder, incitar uma guerra permanente contra seus adversários, destilando ódio contra os que denunciam a depravada política de apoio aos corruptos e o impedimento das investigações sobre o calamitoso uso de verbas públicas.

Esta é a revolução dos que acham irrelevante uma frase solta no discurso de um político. E tal combate não é para os gozadores de mordomias, mas de quem nada tem a perder a não ser a esperança em dias melhores para o Brasil.

Miranda Sá

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Miranda Sá
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