A quem interessa boicotar as Olimpíadas?
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Os telefonemas e e-mails recebidos bateram um recorde desde que assino artigos n’ O Jornal de Hoje. Referiam-se ao texto da última 2ª feira, analisando a atividade dos ativistas pela independência do Tibet e os seguidores do “deus vivo” Dalai Lama. Além da farta correspondência, somaram-se comentários no Blog que mantenho na Internet e várias opiniões recebidas em encontros ocasionais nas ruas e supermercados.
Registro que a maioria dos que debateram o assunto, deu-me razão ao defender as Olimpíadas de Pequim e levar ao conhecimento geral o histórico da revolução chinesa ao Himalaia, abolindo a escravatura e a servidão, oferecendo uma educação moderna com ensino técnico-científico e combatendo o fetichismo cultuado nos monastérios lamaístas.
Apenas uma entre 29 intervenções sobre o meu artigo discorda a minha afirmação sobre a distorção do noticiário internacional. Em respeito a esta opinião, retorno ao tema por uma simples razão: apontar os clipes das manifestações contra a China Popular distribuídos por agências noticiosas e repetidos à exaustão pelas redes nacionais de televisão.
Quatro matérias foram por mim selecionadas e gravadas. Uma manifestação estudantil no Nepal, com a prisão de dois jovens que foi repetida várias vezes por ângulos diferentes; a provocação de apenas de duas pessoas na coleta do fogo olímpico quando discursava o representante do comitê chinês; e, a invasão da representação da ONU em Katmandu, capital do Nepal, que teve a participação de somente 22 pessoas. E uma passeata dominical de 113 dondocas paulistas devidamente vestidas de branco…
Vê-se que se trata de uma provocação organizada para uso midiático. Por isso não custa perguntar a quem interessa boicotar as Olimpíadas de Pequim. Não deve ser em defesa do Dalai Lama, personalidade divulgada para propaganda de filmes hollywoodianos que não fede nem cheira, nem campo político nem no religioso. Ele nada discorre sobre a seita lamaísta do budismo e a sua participação política se resume às visitas preparadas por ONGs fajutas para coletar dinheiro.
São estranhos estes pronunciamentos à diplomacia isenta de partidarismos sectários e que não serve ao complexo industrial-militar dos EUA, sempre disposto a criar uma guerrinha aqui, outra acolá, invasões imperiais descaradas ou intervenções disfarçadas em ajuda humanitária.
Não foi bem assimilado o apoio do papa Bento 16, cujo conhecimento das religiões orientais deixa muito a desejar. Fora do Pontífice, nenhuma organização religiosa séria exprimiu apoio ao lamaísmo; somente um ou outro bispo evangélico ignorante em caráter individual.
Quem poderia apoiar uma teocracia? Repito: teocracia, segundo os dicionários e enciclopédias usuais, “é a forma de governo em que a autoridade, emanada dos deuses ou de Deus, é exercida pelos seus representantes na Terra”. É possível, por isso, que a solidariedade do papa Bento ao Dalai Lama se explique pela nostalgia de uma época em que o Vaticano foi uma “teocracia”…
A gente só encontra “teocracias” no mundo antigo – pré-helênico – quando os sacerdotes governavam a Babilônia em nome de Isthar e no Egito os faraós representavam Amon-Rá; mas os inocentes úteis ou os mercenários desconhecem ou fingem não saber dessas coisas. Sem estudar a História da Civilização, não sabem que não surgiu com o socialismo chinês a iniciativa de libertar os tibetanos. Confúcio (551 aC – 479 aC) já denunciava o animismo dominante nas fronteiras chinesas do Sul.
A pregação filosófica, sobretudo moral, de Kung Fu Tse – o popular Confúcio –um reformador progressista sempre se chocou com a precocidade caduca e o estéril absenteísmo dos monges lamaístas. “Como levar a sério os dalai lamas, que imaginam que o mundo de onde se extrai os alimentos não poderia existir sem os seus excrementos sagrados?”… Esta colocação é de Karl Marx – A Ideologia Alemã.
Para os católicos não se deixarem enganar pelos equívocos do papa Bento, saibam que os lamaístas acreditam que os deuses e os demônios intervêm na vida de todos, e que só se pode conciliá-los através de cerimônias presididas pelos dalai lamas… E os espíritas científicos que ensinam ser o budismo uma religião sem deus, devem ver que o próprio Buda é adorado como um deus na mística e pervertida realidade lamaísta.
O obscurantismo religioso dos dalai lamas não encoraja ninguém a arriscar a vida e a reputação social, para defendê-los, exceto os oligofrênicos manipulados por alguns sabidos. A arregimentação dos protestos contra a China Popular tem o sentido político de sabotar as Olimpíadas de Pequim – escondendo do mundo as grandes conquistas da revolução socialista e do povo chinês.
Durante a guerra fria, o complexo industrial-militar tentou boicotar as Olimpíadas de Moscou e fracassou porque o encontro mundial dos desportistas na antiga URSS atingiu um êxito nunca visto, e a mesma coisa irá ocorrer em Pequim. Os fazedores de guerras não aprenderam que os amantes da paz mundial estão acima dos partidos e das seitas religiosas, e que as Olimpíadas são a expressão real do entendimento entre os povos.
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