O PAN, os bilhões e as vaias para Lula
Os cariocas esbanjaram alegria na abertura solene dos Jogos Pan-Americanos, e cantaram com ardor patriótico o hino nacional puxado pela veterana Elza Soares. Poetas e trovadores correram para rogar à brasileiríssima sétima maravilha do mundo contemporâneo, o Cristo Redentor, as alvíssaras para que ganhemos muitas medalhas e ultrapassemos o Canadá no ranking das disputas esportivas deste lado do Atlântico.
Tudo isto forrou a chegada dos irmãos do Norte, do Sul e do Caribe, com a alcatifa panorâmica e colorida da tropicalidade iluminada que o Rio de Janeiro oferece aos seus visitantes. Mas os governantes deste País varreram para debaixo deste tapete a prestação de contas do investimento para a preparação dos Jogos que suspeitosamente passou de R$ 388 milhões para nada mais, nada menos, do que R$ 3,5 bilhões! Este gasto admirável foi arrancado do bolso do contribuinte que talvez preferisse vê-lo aplicado em coisas mais úteis, como escolas e hospitais, deixando o espetáculo por conta das pessoas e empresas que faturam com ele.
Além disso, parece que as verbas não foram bem aplicadas. Às vésperas dos Jogos, os responsáveis pela organização viveram a grande tensão de ver que o terreno da Vila do Pan, onde os atletas ficariam hospedados, cedeu, abrindo crateras no solo. Parte do entulho foi parar na garagem de um dos prédios e assim temeu-se por um abalo nos alicerces dos alojamentos, o que seria uma tragédia, pois não haveria como remanejar os competidores para outro local. Uma perícia constatou que não houve abalo nas estruturas das edificações.
Isto representou uma pequena parte das obras, algumas das quais ficaram inconclusas. Mas como não adianta chorar o leite derramado, apenas lamentar a perda e tomar medidas para que não aconteça de novo, a desconfiança e a crítica cederam lugar a algo bom: o castigo que o povo carioca aplicou em Lula da Silva, que apesar da alta popularidade nas pesquisas, foi vaiado tantas vezes quantas apareceu no telão ou teve o seu nome citado por algum orador. Os jornais falaram em quatro, cinco e seis vezes em que os apupos estrondaram no ar. Diante disso, o Presidente não conseguiu cumprir a agenda protocolar de anunciar oficialmente a abertura dos jogos.
Logo na primeira vaia, alguns cretinos tentaram explicá-las com sordidez. Conhecido bajulador da TV-Globo disse que a apupada devia-se ao atraso de 15 minutos para o início da festa; mas veio a segunda, a terceira, etc. Sem mais o que dizer para evitar que os brasileiros tomassem conhecimento de que o povo mais politizado do país, arranhara o “teflon” que livra o Presidente das safadezas dos seus companheiros, parentes e amigos, alguém citou Nelson Rodrigues, quando disse que “o Maracanã vaia até minuto de silêncio”.
Ora, o Maracanã referido foi o estádio do futebol, das brigas de torcida, do exibicionismo fanático dos torcedores. Àquele de sábado passado era outro, sem nada ter a ver com a simbologia do jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues. O que assistiu a abertura do PAN mostrou outro público. Quem estava lá pagou um ingresso relativamente caro, para quem tem um rendimento acima dos três salários mínimos, portanto, dos cariocas da classe média baixa para as mais elevadas, e são essas pessoas que fazem a opinião pública do Rio de Janeiro. Tanto que a assobiada foi restrita, tímida para a delegação argentina; mais forte para os norte-americanos e uníssona, e ensurdecedora, para Lula da Silva e a sexóloga-ministra Marta Suplicy.
Ao contrário dos escribas e fariseus hipócritas, prefiro analisar o motivo da assuada. Tem a ver, sim, com o dinheiro mal aplicado, a gastança de pessoas sem crédito, a explosão dos escândalos da Petrobras que muito têm a ver com o Rio e, na minha opinião pessoal e intransferível, a obscena aliança de Lula com Renan Calheiros, atrelando 25 anos de discurso do PT pela ética à República das Alagoas. O Rio vaiou Lula da Silva, o alter ego do cínico e corrupto presidente do Senado Federal que lá não ficará muito tempo se a vaia dos cariocas for abençoada pelo seu patrono, o Cristo Redentor.
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