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Análise de Míriam Leitão

Lucro dos bancos não significa fim da crise de confiança

O banco americano Wells Fargo informou na semana passada que pretende divulgar um lucro no 1º trimestre 50% superior ao do mesmo período do ano passado. Ontem à noite, foi a vez o Goldman Sachs antecipar a divulgação do seu balanço, com um lucro líquido no período de US$ 1,8 bilhão, acima do que os economistas estavam prevendo. As ações do setor financeiro dispararam. O Citigroup, por exemplo, se valorizou 25%.

Apesar disso, esse resultado trimestral não significa que os bancos americanos se recuperaram e que a crise de confiança sobre eles está chegando ao fim. Como explicou ao blog a economista Mônica de Bolle, da Galanto Consultoria, esses bancos receberam muito dinheiro do Fed e do Tesouro nos últimos meses. Receberam dinheiro barato e investiram. O resultado fácil, lógico, e rápido, é o lucro.

Além disso, explica Mônica, esses bancos podem ter vendido ativos para tapar buracos que ainda são desconhecidos dos investidores. Se o banco vende um imóvel, isso entra no balanço como sinal positivo. Como o buraco ainda não foi divulgado, o resultado da operação é o lucro.

– Lucro sinaliza o fluxo de dinheiro num determinado período. E o problema dos bancos americanos é de estoque, solvência, ou seja, sobre os ativos que possuem e que já não tem mais nenhum valor. Enquanto isso não for passado a limpo, a crise de confiança sobre eles não chegará ao fim – explicou.

Sobre os testes de estresse que estão sendo feitos sobre os bancos, Mônica diz que já há economistas colocando em xeque a sua eficácia. O problema é que eles foram elaborados em fevereiro, e a velocidade de agravamento da crise já está deixando ultrapassados os piores cenários. O pior quadro para o desemprego, por exemplo, aponta a taxa em 9%. E ela já está em 8,5% com muitos economistas prevendo uma piora acima de 10%.

– O plano do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, é muito bom do ponto de vista teórico. Mas a realidade é que quando o sistema está desajustado, ele não volta a funcionar sozinho, por mais que se dê incentivos – afirmou.

E os testes de estresse foram criados justamente para aumentar a confiança sobre os bancos. Se eles falharem, a crise continuará.

Miranda Sá

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