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ABRACADABRA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Defendo que cada pessoa pode adotar a religião que quiser. Pode adorar o sol, reverenciar o trovão, curvar-se diante da Shiva linga, dos deuses mitológicos, de Buda, imagens de gesso ou o deus único da bíblia judaico-cristã. Para mim. pouco importa. Desde que tenha fé. Isto é o que vale.

Dicionarizado, o verbete “Religião” é um substantivo feminino significando a crença na existência de um deus ou deuses. A palavra vem do latim “religio”, traduzida como “respeito pelo sagrado”; derivou o verbo “religare”, aproveitado por Agostinho de Hipona, doutor da Igreja e depois santo, quando apelou para os católicos voltarem-se para os antigos princípios cristãos.

Religião é um tema que não pode, nem deve ser abordado levianamente; e também não é fácil de argumentar corretamente. Enfrentando a complexidade e a contraversão, aqui estou porque fui provocado nas redes sociais por alguém que me encarou pelas críticas que faço sobre a mistura de religião e política.

Segundo estudiosos, existem mais de 10 mil religiões registradas mundo afora e são formadas conforme descreveu o filósofo e escritor francês, Ernest Renan, dizendo que “basta uma dúzia de frases eloquentes e fogos de artifícios para se fundar uma religião no Oriente”.

Nos Estados Unidos, se dispensam os fogos; bastam as palavras e o carisma do doutrinador, e elas se multiplicam; e, no Brasil, é preciso apenas o apoio de um parlamentar e verbas públicas para abrirem-se as portas de um templo evangélico, doublé de comitê eleitoral.

É muito triste constatarmos tal coisa. Mas é verdade: confira-se o número de pastores evangélicos politiqueiros, alguns deles com mandato parlamentar pregando uma política de ódio pelas redes sociais.

Em contrapartida, ficou registrado no último censo um aumento demográfico dos que se identificam sem nenhuma religião, ateus e agnósticos, mas o seu número não passa de um fração daqueles que creem em magia, exaltando os jogos de búzios, baralho e tarô; os falsos médiuns das fórmulas mágicas para conquista do amor, os leitores das linhas da mão e redatores de horóscopos.

Trapaceiros de todos matizes têm entre o povão tanta confiabilidade quanto os que fazem política em nome da religião. E esta coisa vem de longe…. Na antiga Grécia o médico Quintus Serenus Sammonicus usou o termo “abracadabra” como exorcismo para curar a malária.

A origem desta exclamação, segundo filólogos, vem do aramaico Avraadabra ou do hebraico ebrah k’dabri significando “eu crio enquanto falo”; e se popularizou entre magos, ilusionistas e charlatães.

Vê-se daí que Abracadabra, desde as primeiras sociedades humanas foi usada como exorcismo para curar enfermidades e, no campo da magia, foi destinada como ritual para expulsar demônios, espíritos malignos ou influências demoníacas de uma pessoa, lugar ou objeto.

A magia vem de muito longe de acordo com antropólogos do período pré-histórico, quando rituais, pinturas rupestres e práticas xamânicas buscavam influenciar a natureza, a caça, a fertilidade e a cura.

Na Grécia, pensadores como Pitágoras e Platão dialogaram indiretamente com saberes místicos, com as magiké, isto é, as práticas dos magos persas.

No Renascimento, figuras como Hermes Trismegisto, Paracelso, Cornélio Agrippa e John Dee resgataram a magia como conhecimento simbólico e filosófico. Já na modernidade, estudiosos como Elifas Lévi, Helena Blavatsky e Aleister Crowley reinterpretaram a magia como um caminho espiritual e psicológico.

Na política brasileira os picaretas dos três poderes republicanos dos “andares de cima” associam a magia ao assalto que fazem ao Erário, praticando a ciência oculta da corrupção, que perseguem em nome da Democracia.

Assim, obrigam as pessoas esclarecidas a se opor ao poder ocupado por PHDs do crime político. Os autênticos patriotas expressam em pensamento e voz alta ABRACADABRA a fim de exorcizar a imunda polarização dos populistas corruptos Jair e Lula.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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