Do Blog do Noblat
O dilema do Tostines aplicado ao PMDB
O anúncio de que Lula criou um conselho político permanente para evitar que o PMDB se descole do governo me lembrou o antigo slogan dos biscoitos Tostines. Dizia assim:
– Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?
Aplicado ao PMDB:
– O PMDB é um grande partido porque trai mais ou trai mais porque é um grande partido?
O PT é um partido centralizado. As orientações emanam de cima para baixo. Tudo bem que elas possam refletir o que se passa embaixo – ou não. Mas elas são tomadas em cima. E os insatisfeitos com elas ou acabam afastados ou se enquadram.
Não lembra da expulsão de quatro ou cinco deputados federais que votaram em Tancredo Neves para presidente da República em janeiro de 1985?
A ditadura militar de 64 estava nos seus estertores. Tancredo disputava a presidência com Paulo Maluf. A eleição era indireta. Votavam deputados, senadores e representantes das Assembléias Legislativas. O PT recusou-se a participar de uma eleição indireta.
Meu filho mais velho, André, é petista. “Fui centralizado”, ouvi dele mais de uma vez. Significa: perdeu uma discussão dentro do partido e foi obrigado a aderir à posição dos vencedores.
Bem, isso não está necessariamente errado. Mas em toda parte há sempre meios pouco legítimos para se construir uma maioria – e no PT não é diferente. É aí que o bicho pode pegar.
Com algumas diferenças para pior ou melhor, as decisões emanam de cima para baixo em partidos como o DEM, o PTB e o PDT, por exemplo.
No PMDB é diferente. O PMDB são muitos. Em cada fatia dele manda um cacique ou um grupo de caciques com seus interesses regionais.
O PMDB de Gedel Vieira Lima, na Bahia, suou a camisa para que o PT apoiasse seu candidato a prefeito de Salvador – João Henrique, atual prefeito. Ai foi o PT que não quis – embora Gedel tenha sido peça vital para a eleição do governador Jacques Wagner (PT).
O PMDB de Orestes Quércia, em São Paulo, preferiu apoiar a reeleição de Gilberto Kassab (DEM). No caso, o culpado foi outra vez o PT, que desprezou a ajuda de Quércia em eleições passadas e que agora não lhe ofereceu o que ele queria – a garantia de ser candidato ao Senado com o apoio do PT em 2010 e a indicação do vice de Marta Suplicy.
A liberdade para fazer alianças é o terreno fértil onde o PMDB cresce ou se mantém como grande partido cortejado à esquerda e à direita. É por isso que em 2010 um pedaço do PMDB estará com o candidato de Lula e outro com o candidato do PSDB. Se houver outros candidatos viáveis, o PMDB estará com eles.
Depois é só ver quem se elegeu e se oferecer para ajudá-lo a governar.
É bom que Lula se preocupe em conservar o PMDB por perto. Mas não é garantia de grande coisa.
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