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Abrindo aspas para Lúcia Hippólito

Dinheiro público não tem dono

“Pode ser que a CPI dos cartões corporativos nem saia do lugar. Pode ser que a CPI dos cartões corporativos termine num acordão entre petistas e tucanos, para poupar o presidente Lula e seus familiares, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus familiares. Ah, sim, e para poupar o governador José Serra, cujo governo também está enrolado com essa história de cartões corporativos. Mas também pode ser que a CPI dos cartões corporativos chegue a conclusões importantes.

O fato é que, neste momento, os acontecimentos já assumiram uma dinâmica própria. As investigações desembestaram e não vão parar nos cartões. No rastro do escândalo dos cartões corporativos, já estão sendo investigados: as diárias recebidas por servidores públicos federais e estaduais, que não precisam prestar contas dos gastos. Ao contrário do que acontece em empresas privadas. O luxuoso apartamento do senhor reitor da Universidade de Brasília, com suas lixeiras moderníssimas e caríssimas. O luxuoso automóvel comprado para uso do senhor reitor da Universidade de Brasília.

O mau uso das fundações que funcionam junto às universidades federais, usadas para contratar pessoal sem concurso, contratar serviços sem licitação, realizar despesas com luxo e desperdício. Tudo isto aponta para uma única direção: o descaso com o dinheiro público, a negligência com o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros. Outro dia mesmo, um homem apanhado em falcatruas, dizia, em telefonema gravado pela Polícia Federal, que determinada quantia “é dinheiro público, não tem dono…” Isso mesmo. A sociedade brasileira, vergada sob o peso de uma carga tributária escorchante, não tem hospitais decentes, não tem saneamento básico suficiente, não tem escolas de boa qualidade, não tem habitação, não tem estradas nem transporte público decentes.

Mas o dinheiro público é desperdiçado em todos os pontos do território nacional, por servidores de todos os escalões, que não se sentem obrigados a prestar contas. Afinal, “é dinheiro público, não tem dono…” Em 2007, o Brasil foi apresentado à farra, à desordem do Senado Federal, aos escândalos protagonizados pelo senador Renan Calheiros e por vários de seus pares. O Legislativo esteve na berlinda o ano todo: aumento de salário para deputados e senadores, absolvição vergonhosa do senador Renan Calheiros, mensaleiros confessos sendo reeleitos, a sanha fisiológica da base aliada, a desorganização da oposição. Pelo visto, este ano de 2008 será dedicado ao Poder Executivo, tanto federal, quanto estadual e mesmo municipal – as eleições para prefeito vêm aí.

O descaso com o dinheiro público não conhece diferenças entre unidades da federação, nem entre partidos ou ideologias. Esta doença dá em governos do PT, do PSDB, do PMDB. Não é de surpreender que tanta gente queira um carguinho no governo. Qualquer cargo. Qualquer governo.”

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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