Abrindo aspas para Lúcia Hippólito
Com o pé esquerdo
Estamos no terceiro dia útil do ano, e o governo Lula já arrumou confusão para um mês inteiro.E olhem que o Congresso está em recesso! Ao lançar o pacote de aumento de impostos, o governo repete os equívocos políticos que vem cometendo desde o primeiro mandato do presidente Lula, equívocos em larga medida responsáveis pelo escândalo do mensalão e a derrota histórica da tentativa de prorrogação da CPMF. Nem quero mencionar o fato de que a palavra do presidente da República ficou inteiramente desmoralizada. Não queria nem ouvir falar em pacote – e o governo baixou um pacote. Afirmou categoricamente que ninguém “faria a loucura” de propor aumento de impostos – e o governo aumentou o IOF e a CSLL.
Claro que a oposição esperneou. Claro que a oposição apontou a quebra do compromisso assumido quando da votação da prorrogação da DRU – aprovada com o apoio decisivo do PSDB. Mas espernear é direito e papel da oposição. O espantoso (ninguém devia se espantar mais, tal é a sucessão de erros na condução política) é que o governo não chamou os políticos da base aliada. Não chamou nem o PT, que foi tão surpreendido quanto a oposição. Não houve um comunicado prévio aos partidos da base, para que pudessem sair em defesa do governo e do aumento de impostos. Os líderes não foram ouvidos. Resultado: a oposição ocupou a mídia e está batendo no governo sem dó nem piedade.Falta articulação política ao governo. Falta conversar com a base aliada.
Mas o governo Lula é muito ruim de articulação. No primeiro mandato, conseguiu tudo à base de mensalão. Como será no segundo mandato? Se as negociações para a prorrogação da CPMF são um exemplo do que vai acontecer nos próximos três anos, o governo vai mal das pernas. O segundo equívoco sério é entregar a interlocução política ao ministro da Fazenda. Não é função de ministro da Fazenda explicar politicamente um assunto tão espinhoso como a decisão do governo de aumentar impostos no segundo dia do ano – depois de ter afirmado que não o faria. A coisa fica ainda mais grave por se tratar do ministro Mantega, um desastre conhecido em matéria política. Sua atuação desastrada e desastrosa no episódio da negociação com os senadores do PSDB, quando estava em jogo a prorrogação da CPMF, deveria ter alertado o governo para a total impropriedade e inadequação de sua Excelência.
O cinismo do ministro Mantega, ao declarar que o prazo de validade da afirmação do presidente Lula de que não aumentaria impostos era o ano de 2007 – e já estamos em 2008 –, é descomunal, de uma desfaçatez sem limites. Alguém poderia alertar o presidente da República de que ele está muito mal cercado em matéria de operadores políticos – e não é de hoje. Desde o primeiro mandato, sobra companheiro e falta conselheiro em torno do presidente Lula.
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